A Absae - Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia divulgou na semana passada o “Projeto Visão 2030 – Políticas públicas e sinais econômicos para o armazenamento de energia no Brasil”. O estudo propõe uma agenda integrada para os próximos quatro anos, com medidas relacionadas a planejamento, regulação, contratação, tributação, financiamento, segurança e desenvolvimento de mercado. O objetivo é criar condições para que, até 2030, o armazenamento deixe de depender de mecanismos isolados e passe a integrar de forma recorrente as alternativas consideradas no planejamento, na operação e na expansão do setor elétrico brasileiro.
O estudo lembra que 6.091 empreendimentos, que somam 297 GW, foram cadastrados para o Leilão de Reserva de Capacidade dedicado ao armazenamento por baterias (LRCAP Armazenamento), previsto para dezembro de 2026. Embora o volume não represente a capacidade que será efetivamente contratada, sinaliza o forte interesse dos investidores no novo mercado, diz a entidade em comunicado. Além disso, o estudo aponta aproximadamente 1,9 GWh em vendas acumuladas de sistemas BESS no Brasil, dos quais cerca de 730 MWh foram comercializados somente em 2025, especialmente em aplicações comerciais e industriais.
Um dos principais diagnósticos é que o desenvolvimento do armazenamento não depende de uma única medida regulatória ou de sucessivos leilões. A agenda envolve diferentes instituições e políticas públicas, desde planejamento energético e regulação até tributação, financiamento, indústria, meio ambiente, inovação, segurança e desenvolvimento regional. Por isso, o estudo propõe que o CNPE - Conselho Nacional de Política Energética assuma a coordenação estratégica da Política Nacional de Armazenamento, com a instituição de um grupo de trabalho interministerial para articular as frentes da agenda.
Entre as prioridades identificadas estão a incorporação formal da flexibilidade e do armazenamento ao planejamento energético; modernização tarifária e criação de sinais econômicos; desenvolvimento de mercados de capacidade, flexibilidade e serviços ancilares; aperfeiçoamento das regras aplicáveis à transmissão, distribuição e recursos energéticos distribuídos; acesso ao REIDI e a instrumentos de financiamento de infraestrutura; desenvolvimento industrial; e harmonização das regras de segurança, licenciamento e ciclo de vida.
“Mais do que estabelecer uma meta de capacidade instalada, o Projeto Visão 2030 propõe criar um ambiente no qual o armazenamento seja considerado sempre que representar uma resposta competitiva para necessidades de energia, potência, flexibilidade, segurança e redes. A visão defendida pela Absae é que, em 2030, o armazenamento esteja integrado ao setor elétrico brasileiro, contribuindo para o melhor aproveitamento dos recursos elétricos e energéticos, a redução de custos para os consumidores, o aperfeiçoamento da operação e o aumento da segurança necessária ao desenvolvimento econômico nacional”, afirma o comunicado.
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