A expansão da energia fotovoltaica não está progredindo com a rapidez necessária em toda a Alemanha: apenas cerca de um quinto (17 das 82 principais cidades) instalou sistemas fotovoltaicos suficientes nos últimos dois anos. Esse é o resultado da avaliação realizada este ano pela entidade Ação Ambiental Alemanha (Deutsche Umwelthilfe, cuja sigla é DUH), associação sem fins lucrativos de proteção da natureza, meio ambiente e defesa do consumidor. É a primeira vez que a DUH avalia as metas de expansão das cidades com base no potencial disponível em telhados e espaços abertos.
A DUH deu “cartão amarelo” para 21 cidades, as quais deverão aumentar suas instalações fotovoltaicas anuais em até 25%. Já 48 outras receberam “cartão vermelho” por estarem ainda mais atrasadas. Potsdam, Rostock, Chemnitz e outras nove grandes cidades deixaram de cumprir mais de 50% de suas metas e precisam mais que dobrar o ritmo. Foram reprovadas metrópoles como Berlim, Munique e Frankfurt, onde um número particularmente grande de pessoas vive em imóveis alugados. A DUH critica o fato de a atual política energética do país estar dificultando enormemente a expansão da energia fotovoltaica e exige uma mudança imediata de rumo do Ministério Federal de Economia e Energia.
Segundo Barbara Metz, Diretora-Geral da DUH, “as cidades alemãs poderiam ser o motor da transição energética, mas a política e o lobby dos combustíveis fósseis estão dificultando a expansão da energia solar”. Ela diz que áreas densamente povoadas, onde o consumo de eletricidade é particularmente alto, permanecem com vastas áreas de telhados sem uso quando a expansão da energia fotovoltaica deveria ser prioridade máxima. “Com bombas de calor, veículos elétricos e a eletrificação dos sistemas de aquecimento, a demanda por eletricidade nas cidades está aumentando drasticamente. Aqueles que geram energia solar diretamente em seus telhados tornam as pessoas menos dependentes das importações de petróleo e gás e as protegem da explosão dos preços da energia, que estamos vivenciando novamente como resultado da crise dos combustíveis fósseis.”
Para a diretora, uma alavanca fundamental seria finalmente responsabilizar os grandes proprietários de imóveis e tornar a expansão da energia fotovoltaica em telhados economicamente atraente. Ela acusa o ministério de envolvimento com lobbies econômicos e criação de incertezas com uma emenda à Lei de Energias Renováveis e um pacote de medidas para a rede de energia. “Ao questionar as instalações solares em telhados e criar obstáculos adicionais para novos sistemas fotovoltaicos, (a ministra) Katherina Reiche está lançando um ataque frontal à transição energética liderada pelos cidadãos e favorecendo as corporações de combustíveis fósseis. Exigimos que ela cesse imediatamente suas políticas obstrucionistas e abra caminho para uma transição energética rápida, socialmente justa e descentralizada em nossas cidades”.
De acordo com Rupert Wronski, Vice-Diretor de Proteção Ambiental Municipal da DUH, a fraca expansão da energia solar aumenta a pressão sobre os espaços abertos, que já são alvo de enorme disputa entre a agricultura e a conservação ambiental. “A Áustria já demonstrou há muito tempo que o fornecimento de eletricidade para inquilinos e a energia comunitária podem funcionar sem burocracia. Na Alemanha, por outro lado, regulamentações complicadas e políticas incertas (...) estão afastando investidores, empresas imobiliárias e projetos de energia cidadã. O resultado é desastroso: somente no primeiro trimestre de 2026, a instalação de painéis fotovoltaicos em telhados caiu mais de 20%.”
No âmbito do projeto "Ofensiva Solar Alemanha ", financiado inicialmente pelo Fundo de Investimento e Natureza em 2023, a DUH analisa regularmente a expansão da energia fotovoltaica nas cidades alemãs com 100 mil habitantes ou mais. Para essa análise, utiliza dados do cadastro de mercado da Autoridade Federal de Redes do país.
Em 2026, a DUH adaptou sua metodologia para melhor refletir o potencial fotovoltaico real dos municípios e a meta política de expansão da Lei de Fontes de Energia Renovável (EEG). Em vez de uma meta de expansão de 590 GWp até 2035, a análise agora utiliza a meta de 400 GWp até 2040 estipulada na EEG de 2023. Esses 400 GWp não serão mais distribuídos pela área das principais cidades para determinar a parcela de expansão que a DUH considera justificada para cada cidade. Em vez disso, serão calculados usando uma combinação do potencial fotovoltaico real em telhados e uma proporção de espaços abertos de baixo conflito dentro de áreas já desenvolvidas ou impermeabilizadas.
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