O curtailment continua a afetar de forma significativa a geração solar no Brasil, com cortes superiores a 40% da energia potencial em alguns empreendimentos no Nordeste, segundo estudo da consultoria ePowerBay com base em dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). A análise considera os registros disponíveis para usinas solares desde abril de 2024 e dados consolidados até janeiro de 2026. 

Os dez conjuntos solares com maiores perdas percentuais estão concentrados na Bahia, Pernambuco e Ceará, conectados a subestações como Bom Jesus da Lapa, Sol do Sertão, Barreiras, Tacaratu e Russas II. Em alguns casos, os cortes ultrapassam um terço da geração estimada, reduzindo de forma relevante o volume de energia efetivamente entregue ao sistema. 

O avanço do curtailment ocorre paralelamente à expansão da capacidade de geração centralizada, especialmente no Nordeste, onde se concentra grande parte dos novos projetos fotovoltaicos. A limitação da rede de transmissão e a concentração geográfica das usinas contribuem para o aumento das restrições operacionais ao despacho da geração. 

No conjunto das fontes solar e eólica, as perdas por curtailment totalizaram 2,86 milhões de MWh em janeiro de 2026, alta de 45% em relação a dezembro de 2025. No acumulado do período analisado, os cortes já se aproximam de 48,7 milhões de MWh, indicando crescimento contínuo das restrições ao escoamento da geração renovável. 

As restrições classificadas como energéticas — quando não há capacidade para absorver ou transmitir a energia gerada — representam a maior parcela das perdas, com cerca de 47% do total acumulado. Esse tipo de limitação está associado ao descompasso entre a expansão da geração e o desenvolvimento da infraestrutura elétrica. 

A energia eólica também apresenta níveis elevados de curtailment, com perdas concentradas em subestações da Bahia e do Rio Grande do Norte, como Igaporã, Açu e Pindaí, que concentram grandes volumes de geração renovável. Essas áreas têm registrado restrições recorrentes devido à capacidade limitada de transmissão. 

Em base anual, o volume total de geração frustrada cresceu de 10,3 milhões de MWh em 2024 para 32,9 milhões de MWh em 2025, aumento de 220%. O estudo da ePowerBay indica que o avanço do curtailment reflete a rápida expansão da geração solar e eólica e reforça a necessidade de ampliação da rede de transmissão e de mecanismos que aumentem a flexibilidade operativa do sistema elétrico.



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