A micro e minigeração distribuída (MMGD) ainda apresenta baixa ou média penetração na ampla maioria das redes de distribuição do país, com situações críticas restritas a uma parcela reduzida do sistema. Essa é a principal conclusão de um estudo técnico apresentado pela Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD) à Aneel na semana passada.
O levantamento analisou cerca de 27 mil alimentadores de rede primária e aproximadamente 6 milhões de redes secundárias em todo o Brasil, com base em dados georreferenciados da própria agência reguladora. O estudo foi desenvolvido pela MRST Consultoria e Engenharia, em parceria com especialistas do setor elétrico e pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP).
De acordo com os resultados, grande parte das redes de distribuição não possui micro ou minigeração conectada. Nos casos em que a penetração é baixa ou intermediária, a geração próxima à carga contribui para a redução de perdas técnicas e pode postergar investimentos em reforços e expansão da infraestrutura.
Os cenários considerados mais sensíveis aparecem apenas em situações de alta penetração de geração distribuída, ainda pouco frequentes no país. Segundo o estudo, análises baseadas nesses casos extremos não refletem, do ponto de vista estatístico, o comportamento predominante das redes brasileiras.
Mesmo nesses contextos, o levantamento indica que os impactos podem ser tratados com soluções técnicas conhecidas, como ajustes em sistemas de proteção, controle de tensão e ampliação da capacidade de transformação. O uso de sistemas de armazenamento é apontado como alternativa para reduzir efeitos operacionais adversos.
O estudo mostra que apenas cerca de 3% das redes secundárias analisadas apresentam alta penetração de MMGD. Ainda assim, não foram observadas violações relevantes e recorrentes de restrições elétricas, como limites de tensão, carregamento ou qualidade do fornecimento.
A ABGD também defende que a regulação do setor priorize critérios técnicos objetivos na avaliação dos impactos da geração distribuída, com foco em parâmetros elétricos locais, evitando generalizações baseadas apenas na inversão de fluxo de potência.
Além dos efeitos nas redes de distribuição, o estudo aponta que a geração próxima à carga pode contribuir para o desempenho do sistema elétrico, ao reduzir fluxos em níveis superiores da rede, especialmente quando associada a soluções de armazenamento.
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