A produção da indústria elétrica e eletrônica cresceu 15,6% em maio na comparação com o mês imediatamente anterior, com ajuste sazonal, conforme dados divulgados pelo IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e agregados pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). Esse incremento ocorreu após três quedas consecutivas.

Desde fevereiro, a produção de bens eletrônicos já estava sendo prejudicada pelos problemas no recebimento de materiais, componentes e insumos da China. As medidas de isolamento social devido à chegada da Covid-19 no Brasil, por sua vez, impactaram a produção industrial a partir da última semana do mês de março, afetando o mês inteiro de abril.

Segundo o presidente executivo da Abinee, Humberto Barbato, o desempenho da produção ocorreu em função do retorno da atividade de algumas unidades industriais. Mesmo com o aumento verificado no mês de maio de 2020, a produção do setor ficou muito abaixo do verificado em maio do ano passado (-33,9%), com fortes quedas na área elétrica (-36,5%) e na eletrônica (-31,1%). Para Barbato, embora esse resultado esteja aquém de 2019, no atual cenário de pandemia o olhar deve voltar-se à evolução mês a mês. "Inevitavelmente, a retomada será gradual e esperamos que esse seja o primeiro passo", ressalta.

No acumulado de janeiro a maio de 2020, a produção industrial do setor eletroeletrônico recuou 16,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Esse resultado decorreu tanto da queda de 16,8% da área eletrônica, quanto da retração de 16,0% da área elétrica.

A indústria em geral apresentou queda 21,9% em maio de 2020 ante maio de 2019, decorrente de perdas na produção em 22 das 26 atividades objeto da Pesquisa Industrial Mensal, cujos resultados foram divulgados pelo IBGE no início deste mês. Na apresentação da pesquisa, o gerente de Coordenação de Indústria do IBGE, André Macedo, disse que além da pandemia do novo coronavírus, o efeito-calendário negativo em maio contribuiu para intensificar as perdas na produção. Em 2020, o mês teve dois dias úteis a menos do que maio de 2019.

Além do relativo otimismo mostrado pelo presidente da Abinee, há outras indicações de uma possível melhora do cenário do setor para os próximos meses. O consumo de energia elétrica em julho está 2% acima do verificado em julho do ano passado, segundo dados do ONS - Operador Nacional do Sistema Elétrico. E, em junho, diversos setores industriais cresceram em comparação com o mesmo mês do ano passado, incluindo o de fabricação de máquinas, aparelhos e material elétricos, que apresentou aumento de 21,54%, segundo informou o jornal “Valor Econômico” citando dados divulgados sobre documentos fiscais eletrônicos emitidos pelos Estados.



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