O setor elétrico brasileiro alerta para um risco operacional e econômico com as projeções para um “Super El Niño” no segundo semestre deste ano. O cenário pode provocar estiagem nas regiões Norte e Nordeste, atraso do período úmido no Sudeste e Centro-Oeste e aumento de eventos climáticos extremos no Sul.
De acordo com especialistas, o mercado já monitora o impacto potencial de um ciclo prolongado de redução de afluências combinado ao crescimento da demanda elétrica e a temperaturas acima da média. Nesse cenário, aumenta o risco de acionamento de bandeiras tarifárias vermelhas e de elevação dos preços da energia no mercado de curto prazo, que reagem rapidamente às mudanças climáticas.
“Os reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste ainda operam em níveis relativamente confortáveis, mas o atraso das chuvas e as temperaturas elevadas devem acelerar o consumo dessas reservas ao longo do segundo semestre”. analisa Matheus Machado, especialista de inteligência de mercado do Grupo Bolt. Ainda de acordo com ele, a seca prolongada no Norte e Nordeste aumenta a dependência do subsistema Sul, que possui predominância de usinas a fio d’água e menor capacidade de armazenamento — desequilíbrio que eleva a necessidade de acionamento de térmicas, pressionando o mercado spot e aumentando o custo da energia para consumidores e empresas.
Para analistas do setor, o segundo semestre de 2026 deve marcar o retorno do debate sobre segurança energética, previsibilidade de preços e resiliência do modelo elétrico brasileiro, em um ambiente de instabilidade climática crescente e demanda estrutural em expansão.
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