O Lactec vem conduzindo ensaios em postes produzidos com polímero reforçado com fibra de vidro (PRFV), alternativa aos modelos tradicionais de concreto. Os estudos abrangem desde a composição química dos materiais até o comportamento mecânico e a durabilidade, com o objetivo de verificar a conformidade com a NBR 16989:2021, que estabelece critérios como resistência a intempéries, agentes físicos e biológicos, além de requisitos de integridade estrutural e acabamento superficial.
O estudo compreendeu avaliação de diferentes combinações de resinas e fibras, incluindo não apenas a fibra de vidro, mas também alternativas como carbono e aramida. Segundo Joseane Valente Gulmine, pesquisadora do Lactec, a escolha dos materiais envolve análise de características específicas que impactam diretamente o desempenho da estrutura. De acordo com ela, a fibra de vidro, embora mais densa, apresenta comportamento mais adequado para esse tipo de aplicação, enquanto a fibra de carbono, apesar de mais leve, pode apresentar características como maior flexibilidade, o que limita seu uso estrutural.
Outro aspecto analisado nos ensaios é a interface entre fibra e resina, considerada determinante para o desempenho final do compósito. A qualidade dessa interação influencia diretamente a resistência mecânica, a durabilidade e a confiabilidade do poste ao longo do tempo. Os testes também contemplam resistência ao fogo, degradação por agentes ambientais e desempenho estrutural em condições operacionais - aspectos críticos para a aplicação em campo.
Do ponto de vista produtivo, os postes de PRFV apresentam vantagens relevantes em relação aos modelos convencionais, afirma o Lactec. Enquanto o concreto demanda mais de duas semanas para cura, os compósitos podem ser fabricados em um ou dois dias por meio da técnica de enrolamento filamentar. Além disso, segundo Guilherme Cunha, gerente sênior de Tecnologia em Materiais do Lactec, a leveza e a modularidade dos postes em material compósito facilitam o transporte e a instalação.
O Lactec desenvolveu dois projetos principais envolvendo a tecnologia PRFV. O primeiro avaliou postes para redes de distribuição, de 10 a 12 metros de altura, e aplicação em sistemas de 13,8 kV. O segundo buscou criar estruturas emergenciais modulares para linhas de transmissão, com postes de aproximadamente 30 metros. Chegou-se a dois protótipos de superpostes que foram ensaiados mecanicamente em fábrica. A próxima fase da pesquisa, que não foi concretizada, envolveria a produção em escala dos protótipos e testes em campo com os postes sendo instalados em situações emergenciais.
De acordo com o Lactec, a adoção de postes em PRFV começa a ganhar espaço no mercado brasileiro, com o aumento do número de fabricantes e da oferta de soluções, e esse movimento reforça a necessidade de validação técnica e padronização. Nesse contexto, iniciativas conduzidas por instituições independentes, como o Lactec, têm papel relevante ao apoiar fabricantes e concessionárias na verificação de desempenho e no atendimento aos requisitos normativos, destaca a entidade.
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