As tarifas residenciais de energia elétrica devem registrar aumento médio de 5,4% em 2026, segundo projeções da TR Soluções. As estimativas indicam, porém, um cenário bastante heterogêneo entre as distribuidoras, com variações individuais que vão de reduções de até 22% a elevações superiores a 30%.
Os cálculos foram realizados com base no Serviço para Estimativa de Tarifas de Energia (SETE), que aplica os procedimentos da regulação tarifária a todas as 51 concessionárias de distribuição do país. A análise considera os componentes tarifários já definidos para o próximo ciclo e os efeitos regulatórios previstos.
O levantamento mostra que a maior concentração de reajustes está na faixa positiva moderada. De acordo com a consultoria, 17 distribuidoras devem registrar aumentos entre 0,7% e 7,9%, enquanto outras 12 terão altas entre 9,1% e 15,4%. Em sete concessionárias, os reajustes projetados ficam entre 15,6% e 20,7%, e apenas uma pode ultrapassar 30%. No campo negativo, nove distribuidoras apresentam variações entre -3,8% e 0%, cinco acumulam quedas superiores a 9%, e duas podem ter reduções acima de 14%.
Na média regional, os consumidores do Sul devem sentir o maior impacto, com aumento projetado de 9,81%, seguidos pelos do Sudeste, com 7,69%. No Norte, a alta média estimada é de 3,65%, enquanto no Centro-Oeste chega a 1,41%. No Nordeste, a variação média é praticamente estável, em 0,30%. A média Brasil calculada pela TR Soluções é de 5,43%.
Segundo a empresa, o principal fator de pressão sobre as tarifas é o aumento dos custos de transmissão. “Essa previsão é reflexo das tarifas de transmissão já definidas para o ciclo 2025/2026, cujo aumento médio de 12% é certo para as concessionárias com reajuste no primeiro semestre, com elevação menor projetada para aquelas que passam por revisão no segundo semestre”, afirma o diretor de Regulação da TR Soluções, Helder Sousa.
Em contrapartida, os dois componentes mais relevantes da tarifa — o custo do serviço de distribuição e o custo de compra de energia — devem crescer abaixo da inflação. Esse comportamento está associado, principalmente, à ampliação da base de consumidores responsáveis pelo custeio do subsídio da CDE GD, após a Lei nº 15.269/2025 determinar a participação também dos consumidores livres.
Outro fator de alívio tarifário é o encerramento do suprimento da maior parte dos contratos do leilão emergencial realizado durante a crise hídrica de 2021. A medida deve reduzir em quase R$ 2 bilhões a receita fixa da energia de reserva, com impacto direto na diminuição do Encargo de Energia de Reserva (EER).
Para os consumidores do mercado livre, contudo, a tendência é distinta. A mudança no critério de rateio dos custos das usinas nucleares Angra 1 e Angra 2, prevista na Lei nº 15.235/2025, deve resultar em acréscimo aproximado de R$ 10 por MWh, reforçando a pressão sobre os custos desse segmento.
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