A ABDI – Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial e o CPQD estão elaborando um diagnóstico do setor de data centers no Brasil para identificar desafios, oportunidades e condições necessárias à expansão dessa infraestrutura. O estudo integra o Projeto ECOS – Data Centers Sustentáveis, com duração de 24 meses, e deverá fornecer subsídios para políticas públicas, atração de investimentos e planejamento territorial.

O levantamento terá como um dos principais resultados uma Matriz de Atratividade Territorial, destinada a identificar regiões com maior capacidade de receber novos empreendimentos e localidades que ainda dependem de investimentos em infraestrutura. Serão avaliados fatores como disponibilidade de energia elétrica, redes de transmissão, conectividade, recursos hídricos, licenciamento e qualificação profissional.

O diagnóstico também examinará a cadeia produtiva nacional, as condições regulatórias e tributárias, a sustentabilidade ambiental e a soberania digital. A metodologia inclui levantamentos de dados nacionais e internacionais, entrevistas com representantes do setor, consultas ao mercado e análises técnicas e territoriais. Em setembro, o projeto realizou um workshop em Campinas, SP, durante o Campinas Innovation Week, para reunir contribuições de empresas e especialistas.

Entre os produtos previstos estão avaliações de impactos econômicos, sociais, ambientais e tecnológicos, cenários para o período de 2026 a 2035 e um roteiro estratégico de desenvolvimento do setor.

Segundo Olavo Noleto, presidente da ABDI, a iniciativa busca associar a expansão dos data centers ao fortalecimento da indústria brasileira. “Os data centers são uma infraestrutura essencial para essa agenda, porque sustentam a expansão da Inteligência Artificial, da computação em nuvem e da economia digital”, afirma.

Além do diagnóstico, o Projeto ECOS prevê uma etapa de inovação aberta, que conectará operadores de data centers, empresas de tecnologia e startups para desenvolver e testar soluções em ambientes operacionais.

Entre as tecnologias consideradas estão inteligência artificial, sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS), monitoramento e automação, além de soluções para eficiência energética, gestão térmica, redução do consumo de água e integração de fontes renováveis.

Os projetos-piloto deverão avaliar o desempenho, a confiabilidade e os benefícios ambientais dessas tecnologias. A proposta é estimular o desenvolvimento de soluções nacionais e ampliar a competitividade da cadeia de fornecedores de infraestrutura para data centers.

“Com essa jornada, o projeto busca desenvolver modelos e soluções nacionais para o setor, alinhando o avanço tecnológico às metas ESG e posicionando o Brasil como referência na próxima geração de data centers sustentáveis e inteligentes”, conclui Sebastião Sahão Junior, presidente do CPQD.



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