A DSA - Dynamic Spectrum Alliance, organização global dedicada à promoção de políticas para uso eficiente do espectro radioelétrico, apresentou à Anatel um posicionamento formal contrário à redução da faixa de 6 GHz destinada ao uso não licenciado por redes Wi-Fi no Brasil. Para a entidade, a medida pode prejudicar os provedores regionais de Internet, limitar a capacidade das conexões sem fio e desestimular investimentos no setor.
A faixa de 6 GHz compreende frequências entre 5925 MHz e 7125 MHz. Em 2021, a Anatel destinou a faixa ao uso não licenciado. Segundo a DSA, a redução dessa parcela do espectro compromete o aproveitamento de tecnologias como Wi-Fi 6E e Wi-Fi 7, utilizadas pelos provedores como complemento às redes de fibra óptica.
A entidade argumenta que a limitação do espectro pode criar gargalos na distribuição residencial e corporativa da conexão, impedindo que as velocidades oferecidas pela fibra óptica sejam integralmente aproveitadas pelos dispositivos dos usuários.
O impacto seria particularmente relevante para os provedores regionais, que desempenham papel importante na expansão da conectividade em municípios menores e áreas insuficientemente atendidas.
A DSA também apoia as iniciativas da Anatel para ampliar as possibilidades de uso do Wi-Fi na faixa de 6 GHz. O posicionamento destaca as Consultas Públicas nº 41/2026 e nº 42/2026, relacionadas, respectivamente, aos requisitos técnicos para equipamentos Wi-Fi de Potência Padrão (Standard Power, ou SP) e aos Sistemas de Coordenação Automatizada de Frequências (AFC).
De acordo com a entidade, a operação em Potência Padrão, coordenada por sistemas AFC, pode ampliar a cobertura e a capacidade das redes sem fio em ambientes internos e externos. A tecnologia permite gerenciar canais e níveis de potência com base na localização dos equipamentos e na presença de usuários licenciados, de modo a reduzir o risco de interferências nos serviços existentes.
A DSA considera essa possibilidade estratégica para os provedores regionais, que poderiam expandir a conectividade para espaços públicos, pequenos comércios e propriedades rurais, inclusive em regiões periurbanas. O uso de equipamentos de maior potência também poderia ajudar a superar barreiras físicas de edificações e ampliar a cobertura com menor custo de infraestrutura.
Embora apoie a ampliação do uso do Wi-Fi em ambientes externos, a DSA sustenta que a manutenção integral da faixa de 6 GHz para uso não licenciado é necessária ao desenvolvimento de tecnologias sem fio avançadas. Segundo a organização, a disponibilidade dos 1200 MHz permite utilizar mais canais de alta largura de banda, ampliar a capacidade das redes e atender a aplicações que exigem altas taxas de transmissão e baixa latência.
Entre os usos citados estão transmissão de vídeo em tempo real, telemedicina, infraestrutura de cidades inteligentes e automação industrial. A entidade também relaciona a disponibilidade de espectro para Wi-Fi ao descarregamento de tráfego das futuras redes móveis 5G e 6G.
A DSA defende que a Anatel considere modelos de compartilhamento dinâmico capazes de permitir a coexistência entre sistemas licenciados e não licenciados. Para a organização, essa alternativa ajudaria a preservar a capacidade do Wi-Fi e, ao mesmo tempo, permitiria avaliar novas destinações para serviços móveis.
O posicionamento ressalta ainda a importância de analisar possíveis interferências entre canais adjacentes de Wi-Fi e redes móveis de alta potência. Segundo a entidade, a necessidade de estabelecer faixas de guarda para evitar interferências poderia reduzir ainda mais o espectro disponível para uso não licenciado.
A DSA também apresenta argumentos econômicos em defesa da manutenção integral da faixa. Segundo um estudo encomendado pela organização, a destinação dos 1200 MHz ao uso não licenciado poderia gerar benefícios econômicos acumulados de US$ 689,18 bilhões para o Brasil entre 2024 e 2034.
No cenário de divisão da faixa, com 500 MHz destinados ao uso não licenciado e 700 MHz às redes móveis, o estudo estima benefícios de US$ 447,15 bilhões no mesmo período. A entidade considera que a diferença reforça a necessidade de preservar o espectro para Wi-Fi e de garantir previsibilidade regulatória ao setor.
O documento também menciona uma avaliação econômica anterior, que estimou em US$ 163,5 bilhões a contribuição da faixa para a economia brasileira até 2030. A DSA afirma que a atualização do estudo apontou benefícios ainda maiores para o período de 2024 a 2034.
Ao concluir sua manifestação, a organização pede à Anatel que considere os possíveis efeitos da redução do espectro sobre os provedores regionais, os investimentos em equipamentos e a expansão da banda larga. A DSA defende a manutenção dos 1200 MHz para uso não licenciado, associada a mecanismos de compartilhamento que protejam os serviços licenciados e permitam ampliar as possibilidades de conectividade.
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