A participação dos servidores de IA - Inteligência Artificial no consumo de eletricidade dos data centers deve dobrar até 2030, segundo o estudo Data Center Demand Index, da consultoria Kearney. Em 2025, esses equipamentos responderam por uma fatia entre 23% e 27% do consumo elétrico das instalações.
A expansão da IA deverá provocar também mudanças no perfil das cargas de trabalho e nos critérios para localização de novos data centers. Segundo o levantamento, fatores como disponibilidade e custo de energia, latência e requisitos de soberania de dados terão peso crescente na definição dos projetos.
Um dos principais vetores dessa expansão será a inferência, etapa em que modelos de IA já treinados são utilizados para processar solicitações dos usuários. Ela representa atualmente cerca de 80% das cargas de trabalho de IA e deverá atingir 85% até 2028.
Apesar do maior volume de inferência, o treinamento dos modelos continua exigindo maior densidade de potência. A Kearney estima uma demanda entre 30 e 100 kW por rack para treinamento de IA, ante 10 a 30 kW para inferência e 10 a 14 kW em ambientes hyperscale tradicionais.
Essa diferença deverá contribuir para uma maior especialização geográfica da infraestrutura. O estudo divide as demandas por data centers em quatro categorias. As instalações metro-local atendem aplicações que exigem baixa latência e proximidade dos usuários, como edge computing e determinadas aplicações de inferência.
O modelo regional-portable é indicado para grande parte das aplicações de inferência e nuvem, que podem ser deslocadas para regiões com melhor combinação de energia, terrenos e conectividade. Já o sovereign-local abrange cargas que precisam permanecer em uma determinada jurisdição por questões regulatórias, de segurança ou soberania de dados.
A quarta categoria, denominada power-led, reúne aplicações de alta intensidade energética e menor sensibilidade à latência, como o treinamento de grandes modelos de IA. Nesses casos, a disponibilidade de energia em grande escala, a custos competitivos e preferencialmente de baixo carbono, tende a ser um dos principais fatores para a escolha da localização.
Embora a análise da Kearney esteja concentrada no mercado europeu, a consultoria aponta uma tendência de maior distribuição da infraestrutura, com diferentes regiões assumindo funções de acordo com suas condições de energia, conectividade, latência e requisitos regulatórios.
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