A Veeam Software está ampliando sua atuação em proteção e recuperação de dados para incorporar recursos de segurança, governança, privacidade e conformidade voltados ao uso de inteligência artificial. A estratégia está concentrada na Veeam DataAI Command Platform, apresentada no Brasil durante o VeeamON Tour, realizado em agosto, em São Paulo.
A proposta parte de uma mudança no uso dos dados corporativos. Com a adoção de agentes de IA capazes de acessar informações e executar tarefas de forma autônoma, as empresas precisam controlar não apenas a infraestrutura onde os dados estão armazenados, mas também seu conteúdo, quem pode acessá-los e como recuperá-los em caso de uma ação indevida.
Segundo pesquisa Data and AI Trust Gap, da própria Veeam, 88% das organizações consultadas utilizam ou estão testando agentes de IA, mas apenas 7% se consideram efetivamente preparadas para isso. Além disso, 95% afirmam que problemas relacionados aos dados já limitaram seu avanço no uso da tecnologia.
A mudança representa uma evolução em relação ao mercado tradicional de backup. José Leal Junior, country manager da Veeam no Brasil, explica que a empresa começou há 20 anos protegendo máquinas virtuais e posteriormente passou a dar maior ênfase à resiliência e à recuperação diante de ataques de ransomware. Agora, a IA acrescenta uma terceira dimensão. “Até então, pegávamos o dado do cliente e protegíamos. Agora passamos a tratar a informação”, afirma.
A DataAI Command combina a tecnologia de resiliência da Veeam com recursos da Securiti AI, adquirida pela companhia. Entre as funções previstas estão identificação de exposição de dados e de usos não autorizados de IA, aplicação de políticas de acesso e recuperação de informações para um ponto anterior a um incidente. A plataforma também identifica dados redundantes, obsoletos e triviais, classificados pela sigla ROT (Redundant, Obsolete, Trivial), e aplicações de IA utilizadas sem o controle da organização, a chamada shadow AI.
Marcio de Freitas, gerente de Engenharia de Sistemas da Veeam Software, explica que a proteção tradicional se concentrava principalmente na infraestrutura. “A gente nunca olhava o dado que está lá dentro, nunca tinha o contexto do dado. Para essa era da IA, isso é essencial, porque a IA vai trabalhar em cima de dados”, diz. A classificação permite, por exemplo, aplicar níveis diferentes de proteção conforme a sensibilidade das informações.
Outro objetivo é detectar o que Freitas chama de “combinações tóxicas”. Uma informação sensível, por exemplo, passa a representar risco maior se estiver armazenada em local inseguro ou puder ser acessada por usuários que não deveriam ter permissão. O mapeamento dessas condições permite estabelecer políticas específicas de segurança.
A integração dos recursos ainda está em desenvolvimento. A primeira implementação está sendo direcionada ao ambiente Microsoft 365, com previsão de avanço gradual para os demais componentes da plataforma. “É uma plataforma única, e estamos trabalhando agora, com a Securiti AI, para fazer essas integrações”, afirma Leal Júnior.
Para o executivo, um dos desafios é conciliar a pressão pela adoção da IA com as políticas corporativas de segurança. Algumas organizações aceleram projetos em busca de eficiência, enquanto outras restringem iniciativas por receio de perder controle sobre os dados. “A empresa fica naquele dilema: ou adere à era da IA para conseguir mais eficiência ou, ao mesmo tempo, deixa de ter segurança e governança de dados porque não está olhando por esse lado”, conclui Freitas.
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