A rápida expansão dos data centers impulsionados por IA - Inteligência Artificial nas Américas poderá esbarrar em limitações da infraestrutura elétrica nos próximos anos, alerta a Wärtsilä, fabricante finlandesa de soluções para geração de energia. Segundo a empresa, o ritmo de construção dessas instalações está superando a capacidade de expansão dos sistemas de transmissão e geração, criando um cenário classificado como “speed to powerless”.
A avaliação faz parte do estudo Beyond the Grid: Building the Power System for AI in the Americas, que analisa a situação dos Estados Unidos, Brasil, México, Chile e Argentina com base em dados de instituições como o Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, a IEA - Agência Internacional de Energia e órgãos nacionais de planejamento energético.
Entre os fatores apontados como gargalos estão longas filas para conexão à rede elétrica, restrições de transmissão, atrasos na entrega de equipamentos e processos de licenciamento. Nos Estados Unidos, cerca de 2600 GW em projetos de geração e armazenamento aguardavam conexão à rede ao fim de 2025. No Brasil, a projeção de consumo dos data centers na rede de transmissão para 2030 foi elevada em 60% em apenas três meses, passando de 18,9 para 30,3 TWh por ano.
Segundo Risto Paldanius, vice-presidente da Wärtsilä para as Américas, o risco não é a desaceleração dos investimentos, mas o crescimento da demanda em ritmo superior ao da capacidade de fornecimento de energia. “As empresas que planejarem desde agora uma abordagem híbrida de suprimento energético estarão mais preparadas para operar de forma eficiente na próxima década”, afirma.
Como alternativa, a empresa defende uma arquitetura baseada em sistemas híbridos, combinando fornecimento da rede elétrica, geração local modular, contratos de energia limpa e possibilidade de futura interligação ao sistema elétrico. O estudo também aponta que sistemas baseados em motores de combustão interna (RICE) podem apresentar custo nivelado de energia cerca de 6% inferior ao de turbinas a gás aeroderivadas em determinados cenários, além de melhor desempenho em regiões de altas temperaturas e escassez hídrica.
No recorte brasileiro, a Wärtsilä afirma que a expansão planejada da transmissão pode não acompanhar o crescimento da demanda dos data centers, enquanto discussões sobre incentivos ao setor, como o regime tributário Redata em análise no Senado, também influenciam as decisões sobre infraestrutura energética. Segundo a companhia, o planejamento de longo prazo será decisivo para garantir a competitividade dos empreendimentos voltados à IA.
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