A Ascenty anunciou um novo ciclo de expansão de infraestrutura digital no Brasil com investimentos de US$ 1,2 bilhão nos próximos 18 meses voltados principalmente à implantação de data centers preparados para aplicações de IA - Inteligência Artificial. O plano prevê a construção de quatro novas unidades nos campi de Sumaré e Vinhedo, no interior paulista, além da ampliação da capacidade instalada para atender à crescente demanda de hyperscalers globais e aplicações de computação de alta densidade.
Os projetos somam inicialmente 150 MW já contratados em acordos fechados com grandes empresas globais de tecnologia, volume equivalente a cerca de 40% de toda a capacidade construída pela companhia ao longo de seus 15 anos de operação. “O mercado passou por uma mudança estrutural com a inteligência artificial, e a Ascenty está na linha de frente dessa nova onda”, afirmou Chris Torto, CEO da Ascenty.
O principal destaque do pacote de investimentos é o Sumaré 3, apontado pela empresa como o primeiro data center da América Latina concebido desde a origem exclusivamente para cargas de trabalho de IA. A instalação terá capacidade inicial de 90 MW, com possibilidade de expansão para mais 90 MW, e será destinada a um único cliente em modelo single tenant.
O projeto marca também uma mudança significativa no padrão técnico dos data centers. Enquanto instalações tradicionais voltadas para cloud operam com densidades médias próximas de 8 kW por rack, o novo data center foi projetado para suportar entre 60 kW e até 1 MW por rack, exigindo arquiteturas de refrigeração muito mais robustas, como o liquid cooling.
Além de Sumaré 3, a expansão inclui a construção do Vinhedo 3, também voltado para aplicações de IA e operação single tenant com 90 MW, além dos projetos Vinhedo 4 e Vinhedo 5, ambos com 45 MW, ainda em fase de desenvolvimento. Os quatro novos empreendimentos elevam para 40 o número de data centers da companhia em operação ou construção na América Latina (Brasil, Chile, México e Colômbia), interconectados por 4000 km de rede proprietária de fibra óptica. O plano de expansão prevê ainda o aumento da capacidade do Vinhedo 2 de 50 MW para 80 MW. Em operação desde 2019, o campus de Vinhedo consolidou-se como um dos ativos mais estratégicos da Ascenty para projetos hyperscale e corporativos. O projeto deve gerar cerca de 600 empregos no pico das obras e 120 postos permanentes após a conclusão.
Juntos, Sumaré e Vinhedo formam um corredor digital de alta capacidade na região de Campinas, um dos principais polos tecnológicos do Brasil, reunindo alta disponibilidade de energia, conectividade densa por fibra óptica, proximidade com a demanda corporativa e de cloud da cidade de São Paulo e presença de cabos submarinos internacionais (chegando na Praia Grande). Além dessas vantagens, o custo da energia no Brasil é cerca de um terço dos Estados Unidos. “É um dos melhores lugares do mundo para colocar data centers”, afirmou Torto.
Segundo Marcos Siqueira, CRO e Head de Estratégia da Ascenty, eficiência energética e sustentabilidade são fatores centrais para a expansão da infraestrutura digital. A empresa opera com energia 100% renovável e vem ampliando sua estratégia de autoprodução por meio de parcerias com geradores renováveis, incluindo acordo com a Casa dos Ventos. A Ascenty desenvolveu sua operação para atender a essas demandas, com operações certificadas como carbono neutro, WUE zero por meio de sistemas de resfriamento em circuito fechado e projetos avançados capazes de combinar alta densidade computacional e eficiência energética, com PUE médio de 1,45. No caso do campus de Vinhedo, o consumo anual de água em 2025 foi equivalente ao de apenas nove residências de quatro moradores, sendo o uso concentrado basicamente em áreas de apoio e convivência.
Ao mesmo tempo, executivos da companhia apontam gargalos estruturais que ainda limitam a expansão acelerada do setor. Entre eles estão a necessidade de reforços em infraestrutura de transmissão elétrica. A empresa já precisou realizar investimentos próprios em linhas de transmissão para viabilizar novos projetos. Apenas para o Sumaré 3, a Ascenty investiu cerca de US$ 50 milhões em uma linha de transmissão de 32 km conectando Santa Bárbara d’Oeste ao campus da companhia em Sumaré.
Outro ponto destacado é a elevada carga tributária incidente sobre equipamentos importados utilizados em data centers de alta performance. Os clientes globais associados aos novos projetos devem investir aproximadamente US$ 5 bilhões em equipamentos (GPUs) para ocupar os data centers, valor mais de quatro vezes superior ao investimento realizado pela própria Ascenty na infraestrutura física.
Para a Ascenty, a expectativa em torno da aprovação do Redata, parada no Senado, poderia acelerar significativamente a entrada de novos investimentos globais em infraestrutura digital e IA. “As empresas de tecnologia estão escolhendo agora onde vão colocar seus próximos data centers. Mesmo que os investimentos levem 18, 24, 36 meses, a decisão é agora”, disse o CEO. Em outras palavras, o Redata antecipa os efeitos da reforma tributária, que terá implementação gradual entre 2027 e 2032, enquanto as decisões globais sobre implantação de infraestrutura digital estão sendo tomadas agora. Embora os investimentos anunciados tenham sido fechados mesmo sem o programa, a redução da carga tributária poderia ampliar o volume de projetos futuros, principalmente diante da corrida global por infraestrutura dedicada à inteligência artificial. “Se nós queremos triplicar, quadruplicar o parque de data centers grandes, o Brasil precisa do Redata, sem dúvida nenhuma”, disse.
O CFO da Ascenty, Werner Suffert, afirmou que os investimentos anunciados pela companhia não dependem da aprovação do Redata, já que tanto a empresa quanto os clientes envolvidos estruturaram os projetos considerando o atual modelo tributário brasileiro. Segundo ele, os contratantes já incorporaram ao planejamento mecanismos existentes de redução de custos fiscais, como o regime de ex-tarifário para importação de equipamentos. “O cliente já avaliou o cenário tributário vigente e definiu a melhor estrutura para o projeto. Instrumentos como o ex-tarifário permitem reduzir de forma relevante a tributação sobre equipamentos”, concluiu.
Na foto, perspectiva digital do data center Sumaré 3, mostrando como será a instalação após sua conclusão. Crédito: Ascenty
Mais Notícias RTI
Novo acordo comercial fortalece portfólio esportivo da distribuidora.
01/06/2026
Iniciativa prevê 97 torres para ampliar acesso à tecnologia no campo e comunidades do entorno.
01/06/2026
Foi protocolado na Alesc o PL que institui o Programa Sinal Bom, iniciativa voltada à ampliação e ao fortalecimento da conectividade em áreas rurais do estado.
01/06/2026