O Instituto Trata Brasil, em parceria com a organização Water.org dos Estados Unidos, lançou o novo estudo Perdas de água 2020 - Desafios à disponibilidade hídrica e necessidade de avanço na eficiência do saneamento, elaborado pela GO Associados.
Com dados do SNIS - Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, ano base 2018, o estudo mostra que a média de perda de água potável no país foi de 38,45%, como resultado de vazamentos, roubos, fraudes, erros de leitura dos hidrômetros, entre outros problemas.
Em 2018, isto significou perda de 6,5 bilhões de m³, equivalente a 7,1 mil piscinas olímpicas por dia. A perda de faturamento total foi de R$ 12 bilhões, equivalente aos recursos investidos em água e esgotos no Brasil naquele ano.
O estudo mostra também simulações com possíveis cenários para a redução das perdas e ganhos reais para o país. No cenário otimista, o Brasil chegaria a 2033 com perdas de água potável em 15% (nível de grande parte dos países desenvolvidos) e teria ganhos líquidos, já descontado o investimento no próprio combate às perdas, de R$ 39 bilhões. 
Tomando como parâmetro o cenário base (perdas em 20%), o ganho bruto seria de R$ 61 bilhões e líquidos em R$ 30,9 bilhões. No cenário conservador as perdas chegariam a 25% e ganhos líquidos de R$ 22,8 bilhões. 
No pior cenário, considerando a meta do Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), as perdas chegariam a 31%, e os ganhos de R$ 13 bilhões até 2033. 
A diferença no Ganho Líquido Total entre o cenário otimista e o do Plansab seria de R$ 26 bilhões, ou seja, metas mais brandas fazem com que o setor renuncie a recursos essenciais para o fomento de investimentos e para que se chegue mais rapidamente à universalização da água e esgotos a todos os brasileiros. 
O Brasil se encontra distante dos países mais desenvolvidos, que possuem níveis de perdas inferiores a 20%. Na Dinamarca, o índice foi de 6,9% em 2015.

As perdas de água nos sistemas de distribuição do Brasil não estão melhorando, ao contrário, na média estão piorando. Em 2014, o país registrou perda de 36,7%, mas quatro anos depois (2018), o indicador subiu 1,75 p.p, chegando a 38,45%.

O estudo fez também uma análise dos principais indicadores ligados às perdas de água entre 2015 e 2018. Os principais resultados são os seguintes:

• Houve aumento de 5% na produção de água entre 2015 e 2018. Para atender a população, as cidades brasileiras estão retirando mais água da natureza. 
• O volume de água não faturada teve aumento de 10% no mesmo período. 
• O impacto financeiro ao longo dos anos subiu de R$ 9,8 bilhões em 2015 para R$ 12,3 bilhões em 2018, um aumento de 25%.

A redução das perdas implica disponibilizar mais água para a população sem a necessidade de captação em novos mananciais. Considerando o cenário de redução das perdas de 39% para 20%, o volume economizado (1,8 bilhões de m3) seria suficiente para abastecer 32,6 milhões de brasileiros em um ano, ou cerca de 16% da população brasileira.

O estudo completo pode ser acessado no site do Instituto Trata Brasil, http://tratabrasil.org.br/.



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