A escassez de água nos locais em que operam já é o maior desafio hídrico para 55% das empresas brasileiras. O dado integra o estudo Gestão Hídrica no Setor Empresarial, elaborado pelo CEBDS - Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável com suas empresas associadas, e revela que a crise da água saiu do campo do risco futuro: ela já afeta o cotidiano das operações do setor produtivo.
O levantamento reforça a dimensão do problema: 80% das empresas associadas já enfrentaram problemas relacionados à falta ou à qualidade da água, enquanto 75% têm operações com alta ou altíssima dependência de recursos hídricos. Além disso, 40% das empresas indicam que seus fornecedores também já enfrentaram algum tipo de problema hídrico — sinal de que a vulnerabilidade se estende por toda a cadeia produtiva.
“A segurança hídrica deixou de ser apenas uma agenda ambiental e passou a ocupar um papel central na estratégia das empresas. Garantir acesso contínuo à água em quantidade e qualidade adequadas é fundamental para a continuidade das operações, para a estabilidade das cadeias produtivas e para a resiliência dos territórios”, afirmou Juliana Lopes, Diretora Técnica de Natureza e Sociedade do CEBDS.
Diante desse cenário, as empresas brasileiras têm incorporado a água à governança corporativa e ampliado investimentos em eficiência hídrica, reúso e recuperação de bacias hidrográficas. O principal motivador: 83% das empresas pesquisadas apontam a mitigação do risco de paralisação das atividades como razão central para investir em gestão hídrica, a mesma proporção que destaca os ganhos de eficiência operacional e a redução de custos como benefícios diretos dessas iniciativas.
O estudo do CEBDS apontou que o custo de uma interrupção operacional causada pela escassez ou pela baixa qualidade da água muitas vezes supera o investimento necessário para aumentar a eficiência hídrica ou implementar tecnologias de reúso e conservação.
Durante a COP30, no fim de 2025, o CEBDS lançou uma nova edição do Compromisso Empresarial Brasileiro pela Segurança Hídrica, que teve sua primeira edição em 2018 e agora foi atualizado com metas para o período 2026–2030. Entre os compromissos estabelecidos estão a incorporação até 2030 do tema água à estratégia e governança empresarial, considerando riscos e oportunidades; integração ou apoio a iniciativas colaborativas de segurança hídrica em bacias hidrográficas com maior risco; ampliação do engajamento de fornecedores na proteção dos recursos hídricos; análises de pegada hídrica e estabelecimento de metas de redução de consumo; e obtenção de balanço hídrico positivo em pelo menos uma bacia hidrográfica onde a empresa atua até 2032.
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