Nos últimos anos, as mudanças climáticas têm causado diversos problemas em todo o mundo e um deles é a chamada "poluição por nutrientes", que mata milhões de peixes todos os anos. De acordo com um estudo realizado pela União Internacional para Conservação da Natureza, divulgado em dezembro de 2019 na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 25), na Espanha, a poluição dos nutrientes nos oceanos é uma das principais causas para criar zonas mortas no oceano, ou seja, locais com baixíssima concentração de oxigênio.

Em 2016, no Chile, em apenas dois meses, um surto de microalgas tóxicas foi capaz de dizimar 40 mil toneladas métricas de salmão, causando uma perda de US$ 500 milhões a US$ 600 milhões para os produtores. No Brasil, em 2019, as microalgas provocaram a mortandade de toneladas de peixes no Rio Tietê em diversas cidades do noroeste paulista.

Além disso, as explosões populacionais de algas de diversos tipos também têm afetado o escoamento de águas em ambientes urbanos, acumulando-se em canais e provocando entupimentos que causam alagamentos, interrupções de trânsito, odores desagradáveis e a disseminação de doenças.

Para ajudar a conter o problema, uma solução que começa a ser utilizada é a técnica de cortina de bolhas, que desvia as algas e impede que entrem em áreas cercadas para piscicultura e em canais ou outros sistemas de escoamento, contribuindo também para o desagrupamento, o que minimiza a proliferação.

O gerente de negócios da Atlas Copco Specialty Rental, Vanderson Lopes, explica que a técnica de cortina de bolhas é feita com compressores de ar isentos de óleo, certificados de acordo com a norma ISO 8573-1 Classe Zero. “Esses equipamentos precisam ser de alta vazão e possuem um custo de aquisição relativamente elevado, além de demandarem mão de obra especializada para sua manutenção. Para tornar essas operações mais viáveis economicamente, cada vez mais tem sido adotada a estratégia de locação”, afirma.

Já existem vários exemplos de aplicação bem sucedida da técnica em diversos continentes e para diferentes espécies de algas. Mas apesar do processo ser o mesmo, as customizações para cada projeto são muitas, pois cada local possui uma característica diferente em relação à altura, intensidade e profundidade. Além disso, as explosões de algas não acontecem durante todo o ano, e as temporadas são determinadas pelo tipo de alga e pelo clima de cada região.

A equipe da Atlas Copco Specialty Rental realizou um trabalho semelhante no terminal portuário privado Porto Sudeste, na Baía de Sepetiba, aproximadamente a 80 km ao sul da cidade do Rio de Janeiro. O canal de acesso segue um caminho entre as diversas ilhas para alcançar o canal público principal do Porto de Itaguaí.

O porto foi projetado para operar com minério de ferro e exportá-lo para os mercados internacionais e o processo de dragagem e obras para remoção de rocha eram necessárias para criar o canal de acesso e bacia de evolução para graneleiros. Durante o processo, duas grandes preocupações ambientais estão sempre presentes: a propagação de sedimentos e detritos para outras áreas e os efeitos adversos para a vida marinha por conta das explosões subaquáticas para quebra de rochas.

Em obras de dragagem, a cortina de bolhas também é capaz de impedir que resíduos em suspensão na água se alastrem, pois ficam retidos no setor onde está ocorrendo a dragagem e não passam para o outro lado da cortina, que mantém todo o restante da água limpa. Neste projeto específico, a Atlas Copco Specialty Rental utilizou compressores de ar portáteis modelo PTS 916, com tanques extras de diesel integrados, para gerar uma cortina de bolhas de 1 km, aumentando também a capacidade de exportação do porto em 50%.



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