Diante do avanço e da maior intensidade de eventos meteorológicos extremos, a transmissora ISA anunciou, em parceria com a Climatempo, a implantação de uma rede própria de estações meteorológicas em seu parque de ativos no estado de São Paulo, onde responde por cerca de 95% da energia transmitida.

A iniciativa integra estratégia de adaptação climática da companhia e prevê monitoramento contínuo até 2030, com foco na antecipação, prevenção e resposta a riscos como ventos intensos, incêndios florestais, ondas de calor, tempestades, deslizamentos, inundações fluviais e elevação do nível do mar, fenômenos com impacto direto sobre a operação e a confiabilidade do sistema elétrico.

Segundo a ISA, a rede será composta por quatro estações meteorológicas completas, instaladas em torres selecionadas a partir de estudos técnicos, com o objetivo de ampliar a cobertura de dados no interior paulista e aprofundar o conhecimento sobre eventos climáticos relevantes para a transmissão.

Para Bruno Isolani, diretor-executivo de Operações da companhia, a expansão da infraestrutura de monitoramento é condição para decisões mais robustas. Ele observa que o País conta hoje com cerca de 700 estações operadas pelo Instituto Nacional de Meteorologia, número considerado insuficiente diante da extensão territorial, o que reforça a necessidade de iniciativas complementares no setor elétrico.

Na avaliação da Climatempo, o desafio vai além da coleta de dados. De acordo com Vitor Hassan, country manager e head de Energia, mais de 30% dos desligamentos no Brasil estão associados a eventos climáticos, enquanto apenas uma fração dos municípios dispõe de estações completas e séries consistentes, o que exige transformar medições em inteligência climática aplicada à operação.

Os dados das novas estações serão integrados às plataformas corporativas da transmissora, como o centro de monitoramento de ativos, permitindo a emissão de alertas operacionais e suporte à gestão preventiva. O projeto também prevê a reconstrução da série histórica de ventos desde 1980, relatórios anuais até 2030 e a identificação de trechos mais sensíveis ao longo das linhas.

Como parte da estratégia, a ISA concluiu em 2024 um diagnóstico de exposição de ativos a ameaças climáticas, em parceria com a WayCarbon, com cenários para 2030, 2040 e 2050. A partir desse mapeamento, a empresa desenvolve um plano específico de adaptação e resiliência para a infraestrutura de transmissão.

Em paralelo, a companhia lidera um estudo técnico para subsidiar o planejamento e a regulação do Sistema Interligado Nacional frente às mudanças climáticas, incluindo propostas de metodologias de custo-benefício para investimentos em resiliência.



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