O mercado brasileiro de data centers atravessa um período de expansão que combina crescimento da capacidade instalada, novos investimentos e aumento da demanda por infraestrutura para computação em nuvem e inteligência artificial. Nesse cenário, cresce também a importância dos equipamentos e sistemas que sustentam essas instalações, desde a alimentação e distribuição de energia e a climatização até a conectividade, segurança, automação e infraestrutura física.
O Brasil é um mercado em que a troca de dados mais se destaca em relação a outros países.Para se ter uma ideia, o PTT – Ponto de Troca de Tráfego de São Paulo é o maior do mundo em tráfego e número de participantes, segundo o Relatório de Conectividade Global da UIT – União Internacional de Telecomunicações, divulgado no início de junho. O tráfego gerado em São Paulo chegou a 12,5 Tbit/s em dezembro de 2021, quase 20% a mais que o segundo principal IX do mundo, o AMS-IX, da Holanda, com 10,8 Tbit/s. O IX paulista também registrou 2413 participantes, mais que o dobro do DE-CIX, com 1066.
É nesse contexto que a revista RTI apresenta a sexta edição da pesquisa Marcas de Excelência em Data Centers, levantamento que identifica as marcas consideradas de excelência pelos próprios profissionais do setor em 18 categorias de produtos utilizados na infraestrutura dessas instalações. Entre os segmentos avaliados estão sistemas de cabeamento, racks, ar-condicionado de precisão, UPS, baterias, grupos geradores, switches, roteadores, sistemas de segurança eletrônica, proteção e detecção de incêndio, entre outros. A pesquisa, cuja edição anterior havia sido realizada em 2022, é retomada neste ano em um momento de forte movimentação do mercado. No mercado, estima-se que cada MW exija investimentos de cerca de US$ 10 milhões a US$ 15 milhões.
Os números ajudam a dimensionar essa transformação. De acordo com o relatório Data Center Brasil 2026, da JLL, somente no primeiro semestre deste ano foram entregues 106 MW de novos data centers no país e outros 134 MW estavam previstos até dezembro. O volume de entregas deve fazer de 2026 um ano recorde, com investimentos estimados em cerca de US$ 8 bilhões. A taxa de vacância nacional está em apenas 4%, enquanto 56% do novo estoque em construção já se encontra pré-locado. Nos cálculos da consultoria, o mercado cresceu em média 15% ao ano e multiplicou por seis seu tamanho desde 2012.
E a perspectiva é de continuidade desse movimento. A JLL contabiliza 660 MW em construção, capazes de atrair aproximadamente US$ 17,4 bilhões em investimentos, além de outros 4621 MW em pipeline. A projeção é que o mercado dobre de tamanho até 2030. São Paulo continua como o principal hub do país e da América Latina, concentrando 38% da capacidade brasileira, especialmente nos polos da capital/Barueri e de Campinas. Ao mesmo tempo, novas fronteiras começam a ganhar importância. Fortaleza, por exemplo, tem 227 MW em construção, volume que, se concretizado, representará um crescimento de quase 1180% da capacidade local.
O avanço da inteligência artificial adiciona outra dimensão a esse cenário. Estudo da FGV Projetos sobre o potencial do Brasil como hub internacional de infraestrutura digital aponta como vantagens competitivas do país a matriz elétrica majoritariamente renovável, a posição geográfica, o tamanho do mercado interno e a expansão da demanda por serviços de nuvem e IA. O levantamento estima que a implantação de um único data center com infraestrutura de inteligência artificial pode mobilizar cerca de R$ 25 bilhões em investimentos e gerar aproximadamente 12.560 empregos diretos e indiretos durante a construção e implantação, dos quais cerca de 1860 seriam permanentes.
Os efeitos, segundo a FGV, ultrapassam a própria indústria de tecnologia. Os investimentos em data centers movimentam segmentos como energia elétrica, construção civil, telecomunicações, logística e serviços técnicos especializados. Ao mesmo tempo, o estudo identifica obstáculos à competitividade brasileira, entre eles a elevada carga tributária sobre equipamentos e serviços e a necessidade de maior estabilidade regulatória, previsibilidade energética e coordenação entre a expansão do sistema elétrico e a chegada das novas cargas digitais.
Uma mudança importante nesse ambiente ocorreu com a recente aprovação do Redata – Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center. O projeto de lei, aprovado sem alterações de mérito em relação ao texto da Câmara, segue para sanção. O regime prevê, entre outros pontos, cinco anos de suspensão de tributos na aquisição de equipamentos destinados aos empreendimentos, incluindo Imposto de Importação, PIS/Cofins, PIS/Cofins-Importação e IPI. Cumpridos os compromissos estabelecidos pelo programa, a suspensão é convertida em isenção.
A aprovação do regime tende, portanto, a acrescentar um novo elemento ao ambiente de investimentos justamente quando o mercado já registra forte expansão. Para os fornecedores de infraestrutura, esse movimento é particularmente relevante. Cada megawatt acrescentado à capacidade dos data centers requer uma extensa cadeia de equipamentos e serviços para garantir energia, refrigeração, conectividade, disponibilidade e segurança às instalações. O crescimento projetado para os próximos anos amplia, assim, não apenas o mercado dos operadores, mas também as oportunidades para fabricantes, integradores, distribuidores, empresas de engenharia e prestadores de serviços especializados.
Os resultados da Pesquisa Marcas de Excelência são apresentados aqui
Diferentemente de um levantamento baseado em uma relação previamente definida de fabricantes, a pesquisa procura captar de forma espontânea a percepção dos profissionais que especificam, instalam, operam ou utilizam essas tecnologias. Para esta edição, foram selecionados 3859 leitores do cadastro da revista, que receberam por e-mail uma explicação sobre os objetivos do trabalho e um convite para responder à pergunta: “Da relação dos produtos abaixo, quais marcas você considera de excelência?” Não houve sugestão ou indicação de marcas por parte da RTI: cada participante digitou espontaneamente os nomes que considerava adequados em cada categoria. Foram recebidas 224 respostas, das quais 155 foram validadas.
O levantamento ouviu profissionais de empresas de projeto, engenharia, instalação e construção, hosting e colocation, além de usuários finais de tecnologia de companhias privadas e órgãos públicos. Os participantes foram orientados a responder somente sobre produtos com os quais efetivamente têm contato em suas instalações. Por isso, cada uma das 18 categorias possui um universo próprio, correspondente ao número de profissionais que se manifestaram sobre aquele item.
Como a indicação é espontânea e não há limite para o número de marcas mencionadas, um mesmo profissional pode apontar mais de uma empresa como referência em determinada categoria. Por essa razão, a soma dos percentuais de algumas tabelas pode ultrapassar 100%. Para a publicação dos resultados, foram consideradas as marcas que atingiram pelo menos 2% das indicações dentro do universo específico de cada produto.
Por fim, a lista dos números de telefone dos fornecedores (fabricantes e/ou importadores) das marcas listadas em todas as tabelas de produtos pode ser encontrada aqui.