A crise do coronavírus afetou economias e trouxe recessão no mundo todo, mas alguns setores estão em alta. É o caso de telecomunicações. No Brasil, a demanda por acesso banda larga vem aumentando a cada dia e as empresas comemoram recordes de vendas, como mostrou o 1° Webinar Covid-19: Os provedores de Internet e a cadeia de fornecimento, realizado pela revista RTI via YouTube no dia 5 de maio.

“Estamos crescendo na crise. É enorme a quantidade de pessoas querendo Internet”, disse Basílio Perez, Conselheiro da Administração da Abrint - Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações. Segundo ele, preocupações iniciais como a sobrecarga das redes diante da explosão de consumo foram superadas. “Provedor tem CDNs e muita fibra instalada. Está bem preparado para oferecer mais banda e aumentar as velocidades”, disse.

A inadimplência, outro fantasma que vem rondando o mercado, também não está ocorrendo – pelo menos não ainda. “Talvez o cenário mude no futuro, com aumento de desemprego, mas por enquanto o assinante, em especial o residencial, está pagando em dia”, disse Perez. Se a pandemia no Brasil passar logo, a exemplo da China e Europa, o resultado para telecom será positivo.

A mesma opinião tem Junior Carrara, Diretor de Marketing e Vendas da WDC Networks, de São Paulo, distribuidora de produtos para redes e telecomunicações. “Surpreendentemente, ao contrário do que imaginávamos no início da quarentena, o mercado está em uma curva ascendente”, disse. A WDC vendeu mais de 120 mil ONUs em abril, um crescimento de quase 30% em relação a março, mês que também foi muito bom em comparação com fevereiro. “Os provedores continuam investindo e sairão fortalecidos”, disse.

A Clamper, fabricante nacional de dispositivos de proteção contra surtos, com sede em Lagoa Santa, MG, também registrou em março um recorde histórico de produção, com quase 600 mil peças fabricadas no mês. A empresa está ampliando a planta industrial, que terá três vezes a sua capacidade atual. “O momento é desafiador, mas passageiro. Precisamos estar preparados para trabalhar da melhor forma e capacitar toda a cadeia para o momento pós-Covid”, afirmou a Coordenadora de Negócios e Telecomunicações Tatiana Gomes.

A Furukawa, fabricante de origem japonesa de soluções para infraestrutura de comunicação e energia, com unidades industriais em Curitiba, PR, Sorocaba, SP, e Santa Rita do Sapucaí, MG, registrou no período da quarentena uma alta de 10% nas vendas de materiais de conexão de assinantes, apesar de uma redução de 10% nos fornecimentos de produtos para rede. “Mas passado o susto, retomaremos o crescimento também na rede”, disse Celso Motizuqui, Diretor Comercial da Furukawa. Perez, da Abrint, concorda com a previsão. “A demanda por Internet de qualidade ainda é muito alta no Brasil, por isso os investimentos para expansão de backbone óptico continuarão a ocorrer, seja pelos provedores ou pelas grandes operadoras, que agregam milhares de novos assinantes por mês, segundo dados oficiais da Anatel”, afirmou.

Abastecimento, importações, câmbio e IPI

A Furukawa está operando suas fábricas normalmente, certamente com os devidos cuidados e ações de distanciamento, principalmente nos refeitórios e linha de montagem, além da adoção de home office de 100% da área administrativa desde o início de março. E o e-commerce continua no ar com pronta entrega de produtos. “Com isso, conseguimos manter o abastecimento do mercado. O time comercial de linha de frente tem feito contatos diários com os provedores do Brasil inteiro e criamos um comitê de crise para tomada de decisões rápidas para resolver qualquer problema de logística e suprimento”, disse Motizuqui.

A WDC, que atua com uma ampla diversidade de marcas, muitas importadas, como Fiberhome e Nokia, no início do ano chegou a ter dificuldade de fazer pedidos de produtos de fornecedores estrangeiros, não apenas da Ásia, mas da Europa e EUA. Em março a China voltou a abrir as fábricas, depois de quase três meses fechadas, e as operações agora estão praticamente normalizadas. “Já retomamos as compras e as próximas cargas deverão chegar em junho”, disse Carrara. A distribuidora não chegou a ficar desabastecida. Segundo o diretor, a empresa tinha estoque suficiente de produtos GPON para atravessar a quarentena e continua com fôlego até a chegada dos novos carregamentos. “Como o provedor não pode esperar 2, 3 meses para ativar um assinante, é nossa política trabalhar sempre com estoque regulador”, disse o diretor, tranquilizando os provedores. “Não vai haver falta de produtos”, garantiu.

Mesmo os fabricantes com produção local dependem de muitos insumos importados. “Os componentes eletrônicos usados na fabricação dos protetores, como capacitores, diodos de avalanche e tiristores, não são produzidos no Brasil. Mas já havíamos feito um amplo aporte de matérias-primas em novembro, que nos ajudou a manter a operação”, disse Tatiana, da Clamper.

Além do desabastecimento da cadeia, uma outra preocupação é a alta do dólar. A WDC, com alguns produtos do estoque antigo, ainda está praticando o dólar com valor reduzido, mas quando entrarem as novas importações há uma tendência de subida de preços. “100% do que importamos está cotado com dólar e não tem como fugir disso”, disse Carrara. Uma opção oferecida pela empresa é o contrato de locação de equipamentos. Estamos flexibilizando os modelos de negócios com períodos de carência de três meses, além de prazos maiores de pagamento, com até 50 parcelas, e menores taxas de juros. “Essas facilidades compensam um pouco a variação do câmbio e os provedores podem preservar a liquidez sem deixar de expandir a rede”, diz.

Nos fabricantes nacionais, também pesou a queda da isenção de até 15% de IPI, desde o dia 1° de abril, conforme previsto na Lei de Informática (PPB). “Estamos absorvendo esses custos, reduzindo nossa margem para não reajustar os preços para o cliente, pois entendemos que todos tenham que doar um pouco para que toda a cadeia se sustente”, disse Tatiana.

“Estamos segurando o máximo possível o repasse do dólar e do IPI”, concordou Motizuqui. Para ajudar os provedores, a empresa lançou uma nova linha de crédito com três meses de carência e parcelamentos em até 12 vezes. “Também estamos analisando caso a caso as necessidades de cada cliente para adequarmos a melhor proposta”, disse.

O Webinar RTI teve um pico de audiência ao vivo de 202 pessoas, com 561 visualizações até o momento. O conteúdo gravado está disponível no canal da Aranda Eventos e pode ser acessado no link: https://www.youtube.com/watch?v=Ybe-pDW18gY.



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