O mercado brasileiro de comunicação máquina a máquina (M2M) e IoT - Internet das Coisas enfrenta barreiras econômicas, operacionais e regulatórias que dificultam a concorrência e a expansão dos serviços. É o que aponta um estudo elaborado pela consultoria Pezco Economics para a TelComp - Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas, apresentado à Anatel no âmbito da Tomada de Subsídios nº 3/2026.

Segundo dados da Anatel citados no levantamento, o Brasil contabilizava 58,8 milhões de acessos M2M e de pontos de serviço, como terminais de pagamento, em julho de 2026, o equivalente a cerca de 20% dos acessos móveis do país. O estudo consultou quatro grupos empresariais, que somavam 5 milhões de acessos, ou 8,5% do total nacional.

Entre os principais obstáculos identificados estão os custos de substituição de chips, a reconfiguração de equipamentos e as restrições contratuais que dificultam a troca de fornecedores. Como exemplo, o levantamento estima que a migração de 10 mil dispositivos para outra rede pode custar R$ 1 milhão, considerando uma despesa de R$ 100 por equipamento. O impacto é significativo para empresas que registraram receita média de R$ 3,17 mensais por acesso em 2025.

Outro desafio é a dependência das redes 2G e 3G, que ainda representavam, respectivamente, 26,5% e 2,4% dos acessos das empresas consultadas em 2026. O desligamento dessas tecnologias poderá exigir a substituição ou adaptação de equipamentos, especialmente em aplicações de rastreamento e telemetria.

O estudo também destaca a importância do roaming para dispositivos que precisam operar em diferentes regiões, incluindo rodovias e áreas rurais, onde a cobertura de uma única operadora pode ser insuficiente. A TelComp defende maior previsibilidade nas regras comerciais e operacionais, mantendo a vedação ao roaming permanente, mas com sanções proporcionais ao impacto efetivo sobre as redes.

“O mercado de IoT está entrando em uma etapa em que conectividade precisa ser tratada como um ecossistema, e não apenas como uma conexão”, afirma Luiz Henrique Barbosa, presidente executivo da TelComp.

O levantamento apresenta oito frentes de atuação para ampliar a concorrência, incluindo maior transparência nas cobranças, revisão de condições contratuais, previsibilidade no desligamento de redes legadas e interoperabilidade dos perfis eSIM, permitindo a migração remota entre operadoras.

A entidade defende que essas medidas sejam priorizadas antes de eventuais intervenções sobre os preços dos serviços. O objetivo é reduzir os custos de troca de fornecedores e ampliar as condições de competição, preservando os incentivos aos investimentos em infraestrutura de telecomunicações.



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