O avanço da IA - Inteligência Artificial, da computação em nuvem e das aplicações de alto desempenho está mudando rapidamente os requisitos de infraestrutura dos data centers. Com chips mais potentes e racks de maior densidade térmica, a climatização deixa de ser apenas um sistema de suporte para assumir um papel estratégico na disponibilidade, eficiência energética e sustentabilidade dessas instalações. Nesse cenário, a Midea Carrier aposta em um portfólio integrado que reúne equipamentos de climatização, automação, monitoramento e serviços para atender às diferentes demandas do mercado.
Segundo João Paulo Pacheco de Oliveira, gerente de Produtos da Midea Carrier, a empresa adota uma abordagem que integra todas as etapas do gerenciamento térmico do data center. “Nossa proposta segue o conceito de solução integrada, do 'chip ao chiller', contemplando desde a remoção do calor próximo à carga de TI até a geração de água gelada, distribuição de ar, controle ambiental, operação assistida e suporte contínuo”, afirma.
No Brasil, a companhia oferece um portfólio que inclui chillers de condensação a ar com compressores centrífugos e de parafuso, equipamentos CRAH, CRAC, fan walls, CDUs, dry coolers, além de plataformas de automação predial (BAS), gerenciamento de infraestrutura de data centers (DCIM) e serviços para todo o ciclo de vida dos sistemas. A empresa destaca que cada projeto é dimensionado de acordo com fatores como densidade térmica, arquitetura da sala, nível de redundância e perspectiva de expansão.
Entre os diferenciais apontados estão recursos de automação e monitoramento contínuo, capazes de acompanhar parâmetros como temperatura, umidade, vazão de ar e desempenho operacional em tempo real. Os equipamentos também podem incorporar funcionalidades como controle master/slave, rodízio automático entre unidades, comunicação Modbus, ventiladores EC, monitoramento do consumo de energia e integração com sistemas BAS, BMS e DCIM. “A eficiência energética deve ser analisada de forma sistêmica, considerando não apenas o equipamento individual, mas todo o ciclo térmico do data center”, destaca Oliveira.
Além do tradicional indicador PUE - Power Usage Effectiveness, a empresa observa que o mercado começa a adotar métricas complementares de sustentabilidade, como WUE (uso de água), CUE (pegada de carbono), CPE (eficiência computacional) e ERE (reaproveitamento de energia), refletindo uma visão mais ampla da eficiência operacional dos empreendimentos.
Um dos principais movimentos observados pela fabricante é o crescimento das soluções de resfriamento líquido. De acordo com Oliveira, o aumento da densidade de processamento provocado pela inteligência artificial faz com que o resfriamento por ar se aproxime de seus limites em determinadas aplicações. “A IA deverá ampliar significativamente a demanda por sistemas de climatização mais robustos, eficientes e flexíveis. Em vez de resfriar apenas o ambiente, passa a ser necessário controlar o calor o mais próximo possível de sua origem” afirma.
Nesse contexto, a Midea Carrier oferece soluções como chillers, CDUs e dry coolers, além de arquiteturas direct-to-chip, rear door heat exchanger e resfriamento por imersão. Segundo a empresa, sistemas direct-to-chip podem remover aproximadamente 70% a 75% do calor gerado pelos equipamentos, deixando o restante para os sistemas convencionais de climatização.
Apesar desse avanço, a expectativa é de que o mercado evolua para arquiteturas híbridas. “A tendência não é uma substituição imediata das soluções tradicionais, mas uma convivência entre arquiteturas. Data centers devem combinar ar, água gelada, automação e, em aplicações específicas, liquid cooling”, observa o executivo.
Segundo ele, os segmentos de colocation, hyperscale, cloud, telecomunicações, serviços financeiros, varejo digital, saúde, indústria e governo deverão liderar a demanda por novas soluções térmicas. O executivo acrescenta que projetos recentes já apresentam maior preocupação com densidade por rack, eficiência energética, modularidade, monitoramento remoto e facilidade de manutenção ao longo do ciclo de vida.
Fruto de joint venture firmada em 2011 entre a chinesa Midea e a norte-americana Carrier, a Midea Carrier atua na fabricação e comercialização de equipamentos de climatização. No Brasil, a empresa mantém fábricas em Canoas, RS, e Manaus, AM, integra uma estrutura com mais de 3,5 mil colaboradores na América Latina e afirma ter comercializado mais de 3 milhões de equipamentos no mercado brasileiro nos últimos dois anos.
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