A rápida adoção da IA - Inteligência Artificial está acelerando a modernização da infraestrutura de TI nas empresas brasileiras, especialmente por meio do uso de containers para execução de aplicações. Ao mesmo tempo, o avanço da tecnologia vem ampliando preocupações relacionadas à governança, segurança e controle sobre o uso de ferramentas de IA dentro das organizações. É o que aponta a oitava edição do estudo Enterprise Cloud Index (ECI), encomendado pela Nutanix à Wakefield Research.

Segundo a pesquisa, 86% dos executivos brasileiros acreditam que a IA está acelerando de forma significativa a adoção de containers, sendo que 32% afirmam que esse movimento ocorre em grande escala. Entre as organizações que já utilizam containers para aplicações de IA, 71% estão desenvolvendo novas aplicações nesse ambiente, seja de forma exclusiva ou em conjunto com a modernização de sistemas legados. Para 48% dos entrevistados, os principais benefícios esperados são ganhos de desempenho, como maior velocidade, confiabilidade e escalabilidade.

O levantamento também evidencia desafios importantes. Para 81% dos executivos brasileiros, o uso de ferramentas e agentes de IA sem supervisão oficial, prática conhecida como shadow AI, representa um risco para os negócios. Além disso, 74% afirmam já ter identificado aplicações ou agentes de IA implementados por colaboradores fora da área de TI.

Outro entrave apontado é a fragmentação entre as áreas de negócio e TI. De acordo com o estudo, 82% dos entrevistados consideram que os silos organizacionais prejudicam, ao menos moderadamente, a execução de iniciativas tecnológicas, dificultando a governança da IA e aumentando os riscos relacionados à exposição de dados sensíveis e propriedade intelectual.

A soberania de dados também aparece como um fator relevante nas decisões de infraestrutura. No Brasil, 72% dos executivos classificam esse tema como prioridade alta ou obrigatória, enquanto 57% afirmam que suas organizações precisam operar a infraestrutura dentro do país, seja em ambientes on-premises ou em regiões locais de nuvem. O estudo mostra ainda uma preferência por executar aplicações conteinerizadas em ambientes on premises ou nuvens privadas (49%) em vez de nuvens públicas (38%), refletindo uma estratégia voltada ao controle e à segurança.

No cenário global, a pesquisa indica que 59% das organizações esperam ter mais de cinco aplicações habilitadas por IA nos próximos três anos. Entretanto, 82% avaliam que a infraestrutura atual ainda não está totalmente preparada para suportar cargas de trabalho de IA em ambientes on premises, evidenciando um descompasso entre os planos de adoção da tecnologia e a maturidade da infraestrutura disponível.

Para Leonel Oliveira, diretor-geral da Nutanix Brasil, as organizações precisam combinar segurança, resiliência, flexibilidade e portabilidade para suportar cargas de trabalho de IA em diferentes ambientes. Segundo o executivo, os desafios relacionados à IA extrapolam a área de TI e exigem que lideranças de diversas áreas estabeleçam mecanismos de governança capazes de garantir o uso seguro e estratégico da tecnologia.



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