O governo do Ceará está reforçando sua estratégia para consolidar o estado como um dos principais polos brasileiros de infraestrutura digital. A estratégia é utilizar a malha do Cinturão Digital do Ceará (CDC) para atrair data centers ao interior, aproveitando a disponibilidade de energia renovável e a conectividade de alta capacidade já instalada em diversas regiões do estado.
A iniciativa, conduzida pela Etice - Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará, prevê a ativação de sete pares de fibras ópticas para estimular investimentos em municípios com potencial de geração de energia solar e eólica. A proposta recebeu respaldo técnico em estudo apresentado por Luciano Charlita de Freitas, especialista sênior do Banco Mundial, durante evento promovido pela UnB - Universidade de Brasília.
Segundo o especialista, a disponibilidade de infraestrutura de fibra óptica é um fator decisivo para viabilizar a interiorização dos data centers. Além de garantir alta capacidade de transmissão e baixa latência, a rede permite que aplicações críticas, como inteligência artificial, computação em nuvem e streaming, sejam processadas mais próximas dos usuários finais por meio de estruturas de edge computing.
O movimento ocorre em um momento de forte crescimento do mercado de data centers. De acordo com o estudo apresentado, o segmento avança cerca de 20% ao ano no Brasil, impulsionado pela digitalização da economia e pela expansão das aplicações de IA.
A estratégia cearense se apoia em ativos já consolidados. Fortaleza é atualmente um dos principais hubs de conectividade da América Latina, com 16 cabos submarinos conectando o estado diretamente à América do Norte, Europa e África. Essa infraestrutura contribuiu para a formação de um ecossistema local de data centers e troca de tráfego de internet, que agora o governo busca expandir para outras regiões do estado.
Além da conectividade, o Ceará aposta na combinação entre energia renovável, incentivos fiscais e disponibilidade de terrenos para atrair novos empreendimentos. A expectativa é que a interiorização dos data centers contribua para descentralizar os investimentos em infraestrutura digital, ampliar a oferta de serviços de baixa latência e impulsionar o desenvolvimento econômico regional.
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