A Panduit, empresa global especializada em soluções de infraestrutura elétrica e de redes, está ampliando sua estratégia de crescimento no Brasil e na América Latina com foco não apenas em grandes projetos de data centers, mas também no mercado de pequenas e médias empresas (SMB - Small and Medium Business). O movimento foi detalhado durante o Panduit One Partner Meeting, realizado no dia 19 de maio, em São Paulo, pela Groz Global Brands, representante exclusiva da fabricante norte-americana no país.
Segundo Douglas Ozanan, diretor da Groz, o Brasil ocupa posição estratégica para a Panduit na região e vem recebendo investimentos para ampliação da capilaridade comercial e fortalecimento do ecossistema de canais. “Este é o nosso principal evento do ano, voltado para os canais. A presença das empresas que estão nos apoiando é um grande sinal do trabalho que estamos fazendo”, afirmou. Além da Panduit, a Groz é representante comercial das marcas Axis e Genetec, com atuação em segurança eletrônica; George Fischer, fabricante de tubos para ar-condicionado; a Cordeiro Cabos Elétricos; e ComtraFO, fabricante de transformadores elétricos.
Segundo Ozanan, a Groz dobrou o número de distribuidores no país nos últimos dois anos, passando de três para seis parceiros: Wesco Anixter, Symmeo, WDC Networks, Ladder Intereng, Dealer Shop e LAN Networks. A estratégia foi desenhada para ampliar a presença regional e avançar em novos perfis de clientes. Hoje, a operação cobre nove estados brasileiros e conta com 187 canais registrados em seu portal. A meta é atingir 500 canais no país nos próximos anos.
Os novos distribuidores têm foco especialmente nos mercados de varejo, segurança eletrônica e atendimento rápido ao pequeno instalador. “Além do high-end e do mercado de data center, estamos focando também em enterprise. Essa ampliação melhorou muito o atendimento aos pequenos canais”, disse. A expansão da estratégia SMB vem apresentando resultados acima das expectativas. Segundo o executivo, embora a Panduit já detenha participação estimada entre 25% e 30% nos grandes data centers do país, a empresa vem registrando forte crescimento no mercado enterprise e dos pequenos e médios negócios.
Outro vetor relevante continua sendo o relacionamento com contas globais. A Panduit afirma estar presente nos principais hyperscalers em operação no Brasil, além de atuar em projetos nos segmentos financeiro e industrial. O crescimento acelerado da demanda ligada a data centers e IA - Inteligência Artificial vem exigindo expansão de capacidade industrial e logística da companhia.
A Groz encerrou 2024 com crescimento de 70% no Brasil. “Um crescimento de 6% em 2025 contra um crescimento de 70% no ano anterior representa um resultado muito relevante”, destacou.
A importância da região para a fabricante também foi reforçada por Fábio Henrique, diretor de vendas RoLATAM da Panduit. A companhia opera atualmente em 114 países e registrou faturamento global de US$ 1,5 bilhão no ano passado, com meta de atingir US$ 2,2 bilhões até 2030.
Na América Latina, a estratégia é crescer acima da média do mercado. A meta da operação liderada pelo executivo — que engloba todos os países latino-americanos, exceto o México — é dobrar o faturamento entre 2026 e 2030, o equivalente a uma expansão anual composta de cerca de 15%.
“Não existe possibilidade de dobrar esse faturamento sem o Brasil. O mercado brasileiro é o mais relevante do território e um dos mais importantes para a América Latina”, afirmou. O executivo destacou ainda que a Panduit vem apresentando crescimento consecutivo nos últimos anos, impulsionada principalmente pelos mercados de data centers e enterprise. Entretanto, um dos principais focos estratégicos da companhia para os próximos anos está na área elétrica, segmento ainda pouco explorado no Brasil.
Globalmente, o portfólio elétrico responde por cerca de 40% do faturamento da empresa, enquanto no mercado brasileiro representa aproximadamente 5%. Segundo Henrique, isso revela um amplo potencial de expansão. “Aqui existe uma oportunidade muito forte. Temos portfólio de impressoras, etiquetas, sistemas de aterramento, conectores de potência e diversas soluções que ainda têm baixa penetração no mercado brasileiro”, afirmou.
A estratégia envolve ampliar ações de cross-selling a partir de 2026, aproveitando o avanço simultâneo dos investimentos em data centers e infraestrutura elétrica para suporte às aplicações de inteligência artificial.
Além da expansão comercial, a Panduit também vem reforçando sua estrutura industrial na América Latina. Com sede nos EUA, atualmente, a empresa mantém três plantas no México e uma na Costa Rica, reunindo cerca de 2800 profissionais dedicados à manufatura. Segundo Henrique, aproximadamente 70% de tudo o que a empresa vende globalmente sai dessas fábricas latino-americanas. Outras fábricas estão espalhadas pelo mundo.
O executivo também destacou como diferencial competitivo o fato de a Panduit ser uma empresa familiar, característica rara entre os grandes fabricantes globais de infraestrutura. “Somos uma companhia mais flexível. Conseguimos ter um tipo de negociação diferente de empresas que precisam responder ao mercado financeiro”, afirmou.
Outro ponto ressaltado foi a oferta de um portfólio considerado “fim a fim”, abrangendo soluções para enterprise, edifícios corporativos, data centers e infraestrutura elétrica. “A Panduit é a única fabricante de infraestrutura física que dispõe de um portfólio completo. Um integrador que não trabalha conosco normalmente precisa compor soluções de várias marcas para entregar o mesmo projeto”, concluiu o diretor.
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