A Ascenty anunciou durante o Abrint Global Congress 2026 a entrada em operação do data center SPO05 e o início da construção do SPO06, ambos localizados no campus em Osasco, SP. Os projetos somam investimentos de aproximadamente R$ 900 milhões e ampliam a estratégia da empresa de expansão de infraestrutura voltada tanto ao mercado corporativo quanto às novas demandas de IA - Inteligência Artificial.
O SPO05 entrou em operação na semana passada com capacidade de 8 MW e investimento de cerca de R$ 300 milhões. Já o SPO06, previsto para entrar em operação em abril de 2027, adicionará mais 18 MW ao campus, em um projeto estimado em R$ 600 milhões. Juntos, os empreendimentos elevarão para cerca de 60 MW a capacidade do complexo da Ascenty na região metropolitana de São Paulo.
Segundo Marcos Siqueira, CRO e Head de Estratégia da Ascenty, o novo data center SPO05 iniciou as operações já com cerca de 30% da capacidade comercializada, refletindo o forte crescimento da demanda no mercado brasileiro. De acordo com ele, a decisão de iniciar imediatamente a construção do SPO06 faz parte da estratégia da companhia de manter capacidade disponível para expansão contínua dos clientes. “Muitos clientes querem entrar em operação, mas já pensando em crescer no mesmo campus, dentro de um raio pequeno, mantendo resiliência e eficiência operacional”, explicou.
Os novos empreendimentos foram projetados para atender tanto clientes enterprise, com demandas entre 500 kW e 800 kW, quanto grandes projetos de escala superior a 1 MW, incluindo aplicações de inteligência artificial e processamento avançado. “Estamos vendo crescimento forte tanto no segmento enterprise quanto no scale. Esses data centers foram preparados para os dois mercados”, destacou Siqueira.
Segundo o executivo, o Brasil vive hoje um momento particularmente favorável para atração de investimentos em colocation e infraestrutura digital. Entre os fatores apontados estão o custo competitivo da energia elétrica, a elevada participação de fontes renováveis na matriz energética e a robustez do sistema interligado nacional. “O custo da energia elétrica no Brasil pode ser 20% ou 30% mais barato do que em outros países. E energia é um dos principais componentes de custo para os clientes de data center”, afirmou.
Ele ressaltou ainda que o país reúne características consideradas raras globalmente. “O Brasil tem energia disponível, matriz 90% renovável e um grid nacional integrado. Não existe outro lugar no mundo com essas características ao mesmo tempo”, disse.
A expansão ocorre em meio ao aumento da procura internacional por infraestrutura digital no país. Segundo Siqueira, empresas asiáticas, americanas e europeias têm buscado a Ascenty para projetos de grande porte e investimentos de longo prazo. “Temos visto empresas internacionais chegando ao Brasil com enorme potencial de investimento, tanto enterprise quanto big techs”, afirmou.
Hoje, a Ascenty conta com 38 data centers na América Latina, sendo 26 em operação e 12 em construção ou desenvolvimento. Ao longo de quase 16 anos, a companhia já investiu mais de R$ 8 bilhões no Brasil.
Toda a infraestrutura da empresa é interligada por uma rede própria de mais de 4 mil quilômetros de fibra óptica, conectando diretamente os data centers aos principais cabos submarinos da região. A empresa também opera em modelo carrier neutral e utiliza a plataforma ServiceFabric, da Digital Realty, para integração com mais de 500 data centers globais.
Durante o AGC 2026, a companhia reforçou ainda sua estratégia de aproximação com provedores regionais e operadoras. Segundo Siqueira, a conectividade tornou-se um elemento central para os clientes de colocation, especialmente diante do crescimento do tráfego de dados e das aplicações distribuídas. “Um data center, por mais moderno e eficiente que seja, não é suficiente sozinho. Ele precisa de conectividade. E os clientes buscam cada vez mais múltiplas conexões”, afirmou.
A empresa mantém conexão direta com o IX.br em diversos mercados, incluindo São Paulo e Fortaleza, permitindo que provedores regionais utilizem os data centers da companhia para troca de tráfego de forma resiliente e com baixa latência.
No campo ambiental, a Ascenty reforçou que os novos projetos seguem a estratégia histórica de sustentabilidade da companhia. Os data centers utilizam sistemas de refrigeração em circuito fechado, sem consumo de água no processo de cooling. “Desde o nosso primeiro data center nós não usamos água na refrigeração. A água fica em circuito fechado, sem evaporação”, explicou Siqueira.
Segundo o executivo, o consumo hídrico da companhia está restrito praticamente a banheiros e áreas de apoio. A empresa afirma operar com energia 100% renovável, ser carbono neutra e manter índices reduzidos de PUE e WUE.
Os novos data centers também já foram concebidos para suportar aplicações de IA. Embora parte do mercado aposte em refrigeração líquida para cargas de inteligência artificial, a companhia avalia que, para muitos projetos atuais, a refrigeração a ar continua sendo suficiente. “Temos soluções de IA já operando em nossos data centers. Em muitos casos, o air cooling continua atendendo perfeitamente”, concluiu.
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