A elevada ociosidade das redes de fibra óptica no Brasil abriu espaço para novos modelos de negócio baseados no compartilhamento de infraestrutura. É nesse contexto que se destaca o Fibershare, plataforma desenvolvida pela CMoritz Engenharia para estruturar um marketplace de redes neutras, permitindo o aluguel de portas disponíveis em CTOs (caixas de terminação óptica) entre provedores.

A solução será lançada oficialmente durante o Abrint Global Congress 2026, que acontece no Distrito Anhembi, em São Paulo, de 6 a 8 de maio. A empresa também fará uma apresentação no evento no dia 7 de maio, às 13 horas, detalhando o funcionamento da plataforma e as oportunidades do modelo.

O ponto de partida do Fibershare é um diagnóstico recorrente no setor: grande parte da capacidade instalada permanece sem uso. “Em média temos de 80% a 86% de rede ociosa. É um ativo parado que pode gerar receita para o provedor”, afirma Carlos Moritz, diretor executivo da CMoritz Engenharia.

A proposta da plataforma é conectar, em um ambiente único, provedores interessados em monetizar essa capacidade ociosa (hosts) e operadores que buscam expandir sua cobertura sem a necessidade de construir nova rede (tenants). O modelo segue a lógica das redes neutras e do open access, já adotado em outros mercados, mas ainda em consolidação no Brasil.

“Vale mais o provedor utilizar a rede do concorrente e vice-versa do que continuar expandindo com alto investimento. O modelo compartilhado é mais rápido e mais econômico”, diz Moritz.

Na prática, o Fibershare funciona como uma vitrine digital da infraestrutura disponível. A plataforma oferece um mapa georreferenciado, com visualização em 2D e 3D, que permite identificar CTOs próprias e de parceiros, verificar disponibilidade de portas e realizar consultas de viabilidade técnica diretamente pelo time comercial.

Uma vez identificada a disponibilidade, o processo de parceria é estruturado dentro do próprio sistema, com fluxo de solicitação, aprovação e gestão de contratos. A solução também integra as camadas OSS e BSS, permitindo não apenas a operação técnica da rede, mas também a gestão financeira e de faturamento entre os parceiros.

“É um SaaS puro, um marketplace de rede neutra que faz a gestão operacional e de negócios. A própria plataforma contabiliza as portas alugadas e faz o ajuste financeiro entre os provedores, evitando inclusive bi-tributação”, explica o executivo.

Para o proprietário da rede, o principal benefício está na geração de receita adicional a partir de ativos já implantados. Já para o locatário, o ganho está na redução de custos e, sobretudo, no tempo de entrada em novas áreas.

A alternativa contrasta com o modelo tradicional de expansão, que envolve investimentos elevados e prazos longos. “Para construir um quilômetro de rede, o custo pode variar de cerca de R$ 7 mil a R$ 13 mil. Para atender um bairro, esse valor pode facilmente ultrapassar R$ 200 mil, além do tempo de aprovação e implantação. Nesse intervalo, muitas vezes o concorrente já chegou primeiro”, afirma Moritz.

No modelo de compartilhamento, o provedor pode contratar uma porta existente e ativar o cliente rapidamente. “Se eu tenho um tíquete médio de R$ 100 e pago R$ 30 pelo aluguel da porta, ainda tenho margem e, principalmente, não perco o cliente por falta de cobertura. Ganho velocidade”, exemplifica.

A plataforma também busca resolver gargalos operacionais do dia a dia. O ciclo completo de ordens de serviço — da abertura à ativação — é integrado ao sistema, com suporte a provisionamento automático de OLT e leitura de dados via OCR diretamente no campo, por meio de aplicativo móvel. “Eliminamos aquela situação do técnico ter que ficar pedindo provisionamento via WhatsApp para o NOC. Ele faz tudo direto na plataforma, em campo, de forma automatizada”, diz Moritz.

Outro componente é o uso de inteligência artificial como suporte operacional, auxiliando na navegação da plataforma, no atendimento de primeiro nível e na automação de processos como importação de dados de rede. Segundo a empresa, a IA também contribui para tornar a ferramenta mais acessível a equipes comerciais e técnicas.

Apesar do potencial, a adoção do modelo ainda enfrenta resistências culturais. Parte dos provedores ainda vê concorrentes como adversários diretos, o que dificulta a lógica de compartilhamento. No entanto, essa percepção começa a mudar. “Muitos já estão virando a chave. Estão entendendo que competir não significa duplicar infraestrutura, mas usar melhor o que já existe”, afirma o executivo.

A expectativa da CMoritz é que o Fibershare acelere essa transição, criando um ambiente estruturado e seguro para parcerias. A plataforma garante isolamento de dados entre operadores e permite que cada provedor defina suas próprias regras comerciais, incluindo preços e restrições de uso.

Com operação 100% em nuvem e infraestrutura baseada em AWS, a solução foi desenvolvida para escalar nacionalmente e, em uma segunda etapa, avançar para mercados da América Latina. “O Brasil é o foco inicial, mas queremos expandir para outros países onde o modelo de rede neutra está começando a ganhar força”, afirma Moritz.

A estreia no evento da Abrint deve servir como termômetro para esse objetivo. “Estamos confiantes de que a plataforma vai ter uma boa aceitação. A ideia é colocar o máximo de provedores possível dentro desse ecossistema”, conclui.



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