A Flux Tecnologia, de Novo Hamburgo, RS, está reposicionando sua atuação no mercado de voz após mudanças regulatórias da Anatel. Com a nova resolução que obriga cada empresa a operar com bloco próprio de numeração, vedando a revenda desse recurso, a companhia passou a reforçar serviços de consultoria técnica, regulatória e comercial para provedores e empresas que desejam se tornar operadoras de STFC.
Presente no AGC 2026, a Flux foi fundada há nove anos com foco em ser o “braço de voz” de provedores regionais. Com isso, construiu seu modelo de negócios inicialmente baseado na oferta e revenda de serviços de telefonia. Segundo Matheus Alves, sócio e diretor comercial da companhia, esse modelo foi diretamente impactado pela nova regulamentação, publicada no final de 2025.
Diante desse cenário, a Flux optou por transformar o impacto regulatório em oportunidade de negócio. A empresa passou a atuar como integradora e consultora para apoiar seus clientes, principalmente provedores, na transição para o modelo de operadora licenciada. “Nós já tínhamos um know-how muito bom e passamos a apoiar nossos clientes para que se tornem operadoras STFC também, assim como a Flux”, diz Alves.
O novo escopo inclui desde a obtenção da outorga junto à Anatel até a implementação completa da operação, passando por reuniões de interconexão com operadoras como Oi, Vivo e Claro, até a gestão do bloco de numeração por localidade.
Além da parte regulatória, a empresa também oferece suporte em engenharia de rede, interconexão, sistemas e operação comercial. Segundo Alves, a proposta é permitir que o cliente “nasça” como operadora plenamente funcional. “É toda a parte técnica, burocrática e de gestão para que ele se torne uma operadora e possa comercializar serviços de voz dentro das regras”, afirma.
Apesar da obrigatoriedade, a adesão ao novo modelo ainda é limitada. “Todo mundo precisa se adequar, mas a maior parte ainda não fez isso. Estamos falando de algo entre 1% e 2% que já se regularizou”, afirma Alves.
Na avaliação da empresa, esse cenário abre uma janela relevante para serviços de consultoria e integração. Ao se tornar operadora, o provedor amplia seu portfólio e reduz riscos comerciais. “Se ele continuar sendo apenas um provedor de banda larga, em algum momento vai perder negócio. Ao se tornar operadora, consegue ser mais agressivo comercialmente e evitar perda de contratos”, diz.
Mesmo com a popularização de aplicativos de mensagem, a Flux aposta na resiliência do mercado de telefonia fixa, especialmente no segmento corporativo. “Existe uma percepção de que a telefonia fixa vai acabar, mas no B2B ela ainda é fortíssima. São números usados há décadas, como 0800 e 4004, que não podem simplesmente deixar de existir”, afirma o diretor.
A empresa opera com soluções 100% IP e em nuvem, com infraestrutura em data centers no Sul e em São Paulo, e mantém desenvolvimento próprio de software. Atualmente, soma cerca de 600 clientes diretos e atende indiretamente aproximadamente 70 mil usuários.
Com a restrição à revenda de numeração, a Flux também diversificou sua oferta, incluindo produtos como base de dados de portabilidade (BDO), controladores de borda (SBC) e plataformas de interconexão (CPI), todos desenvolvidos internamente. “Hoje somos especialistas no fornecimento de todo e qualquer produto que trate voz. Não só a telefonia, mas toda a cadeia necessária para operar”, afirma Alves.
A estratégia mira consolidar a empresa como uma das principais fornecedoras de soluções de voz para provedores no país, em um momento de transição regulatória que tende a redesenhar o mercado.
Na foto, da esquerda para a direita, Diego Menine, Carlos Dienstmann e Matheus Alves, sócios da Flux.
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