Por Alan Bonel (*)

 

 

À medida que a reciclagem de plásticos deixou de ser uma iniciativa periférica para se tornar o núcleo de novas regulamentações, a indústria enfrentou um desafio técnico crítico: a padronização. Como garantir que um polipropileno (PP) ou poliestireno (PS) recuperado tenha a mesma confiabilidade de uma resina virgem? A resposta veio através da consolidação de normas internacionais, como a série EN 15342 a EN 15348, que definem a caracterização de recitados plásticos.

 

Essas normas estabelecem uma linguagem comum para o mercado. Por exemplo, a EN 15342 detalha as características necessárias para o poliestireno reciclado, exigindo que cada lote apresente informações sobre cor, resistência ao impacto e índice de fluidez (MFR). Da mesma forma, a EN 15345 foca no PP, e a EN 15344 no polietileno (PE), enfatizando que, para ser comercializado como material reciclado, o componente polimérico principal deve ser devidamente identificado e testado.

 

Entretanto, a caracterização técnica é apenas metade da equação. O mercado atual exige rastreabilidade. A norma EN 15343 tornou-se o pilar para a comprovação da origem dos resíduos plásticos. Ela descreve os procedimentos necessários para o controle de materiais de entrada, processos de produção e a determinação do conteúdo reciclado em um produto final. Sem essa rastreabilidade documentada, torna-se impossível para um fabricante de embalagens reivindicar benefícios ambientais ou cumprir metas regulatórias crescentes.

 

A evolução mais recente neste campo é a DIN EN 18065:2025, que introduziu o sistema de Níveis de Qualidade de Dados (DQL). Este sistema classifica o plástico reciclado com base na profundidade dos dados disponíveis, desde informações básicas de coleta (DQL 1) até propriedades físicas rigorosamente testadas e rastreabilidade digital completa (DQL 4).

 

Para o profissional de plásticos, a adoção dessas normas não é apenas uma questão de conformidade, mas de competitividade. O uso de Passaportes Digitais de Produto (DPP) e o suporte a transações digitais baseadas em dados técnicos auditáveis estão se tornando a norma para o comércio de reciclados. A mensagem é clara: no mundo da economia circular, a qualidade do material é inseparável da qualidade da informação que o acompanha. Garantir que sua empresa siga esses protocolos de amostragem e análise é o que separa a reciclagem artesanal da reciclagem industrial de alta qualidade.

 

Imagem: Veja/Shutterstock

 

 

Saiba mais sobre normas para o setor de plásticos acompanhando a seção Normas, no portal da Plástico Industrial.

(*)Alan Bonel é especialista em polímeros e atua há mais de 15 anos com foco em normas técnicas nacionais e internacionais, especialmente nas áreas de ensaios, laboratório e requisitos de montadoras. Compartilha conteúdos técnicos no LinkedIn e no canal do YouTube @bonelsimplificando.


 

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