O Brasil deve manter sua posição como principal mercado de data centers da América Latina nos próximos anos, impulsionado pela expansão da computação em nuvem, da inteligência artificial e da digitalização empresarial. A avaliação consta do estudo “The Brazil Data Center Market Size, Share, Trends, & Investments By IT Infrastructure, By Electrical Infrastructure, By Mechanical Infrastructure, By Cooling Systems, By General Construction, & By Tier Standard”, publicado pela consultoria Arizton Advisory & Intelligence em abril de 2026.

Segundo o relatório, o país já conta com mais de 700 MW de capacidade instalada e uma carteira de novos projetos que supera 2 GW, reforçando o papel do Brasil como hub regional de infraestrutura digital. O estado de São Paulo continua concentrando a maior parte das instalações e investimentos, devido à conectividade, proximidade com grandes clientes corporativos e disponibilidade de energia.

O estudo destaca também mudanças importantes na arquitetura dos data centers. A densidade de potência por rack, tradicionalmente entre 5 e 8 kW, está sendo rapidamente substituída por configurações muito mais intensivas em processamento, com instalações projetadas para 50 kW a mais de 100 kW por rack. Como exemplo, a Odata anunciou em março de 2025 o desenvolvimento do data center DC SP04, em São Paulo, capaz de suportar densidade de até 50 kW por rack.

No segmento de serviços, o modelo de retail colocation deve continuar predominante. Em 2025, essa modalidade gerou US$ 710 milhões em receitas, equivalente a 61,2% do total do mercado de colocation no país.

O relatório também aponta desafios estruturais para o setor. Apesar da competitividade energética relativa, com tarifas industriais entre US$ 0,14 e US$ 0,17 por kWh em 2025, o custo de construção permanece elevado. De acordo com o Data Center Cost Index 2025, da consultoria Turner & Townsend, desenvolver um data center em São Paulo custa cerca de US$ 10,75 por watt, um dos valores mais altos da América Latina. No restante do país, os projetos costumam variar entre US$ 8,50 e US$ 9,50 por watt.

Na avaliação da Arizton, a combinação entre demanda crescente por processamento de dados, investimentos de hyperscalers e expansão da economia digital deve sustentar um ciclo prolongado de crescimento da infraestrutura de data centers no Brasil ao longo da próxima década.



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