Uma inovação aparentemente simples — uma pintura aplicada a caixas de emenda e armários de redes FTTH — começa a ganhar espaço como solução para um problema recorrente na operação de campo: a localização de ativos em ambientes urbanos densos, especialmente durante intervenções noturnas. Desenvolvida pela Fibramérica, a tecnologia Fablight combina retroreflexão óptica com potencial uso como ferramenta de marketing para provedores.

Apresentada durante a Andina Link, evento realizado na Colômbia em março, a solução consiste em uma pintura branca refletiva baseada no princípio da retroreflexão, amplamente utilizado em sinalização viária. “Milhões de microesferas de vidro de alto índice de refração redirecionam a luz diretamente de volta à sua fonte, com dispersão mínima”, explica German Toldo, CCO da empresa.

Na prática, isso permite que caixas de terminação óptica (CTOs) e armários de rede se tornem visíveis a distâncias superiores a 50 metros quando iluminados por uma lanterna, facilitando a identificação do ativo correto mesmo em postes congestionados ou em áreas de baixa iluminação.

A motivação inicial do desenvolvimento está ligada à produtividade das equipes técnicas. Segundo a empresa, parte significativa do tempo de atendimento noturno é consumida na busca pelo ponto correto da rede. “Hoje, os técnicos perdem entre 15% e 25% do tempo de cada intervenção simplesmente tentando encontrar a caixa certa”, afirma Toldo.

Esse tempo, além de impactar diretamente o custo operacional, pode comprometer indicadores de qualidade e cumprimento de SLA. A Fablight busca atuar exatamente nessa etapa, sem alterar a arquitetura da rede nem exigir componentes eletrônicos adicionais. “Cada minuto economizado na localização do problema é um minuto ganho no reparo da rede”, destaca o executivo.

A proposta técnica se diferencia por não depender de energia, sensores ou conectividade. A pintura é aplicada diretamente na superfície do equipamento ainda na fábrica e apresenta resistência a intempéries e radiação UV, com vida útil estimada superior a 10 anos.

A solução contempla duas variantes. A principal é a pintura retrorefletiva, que depende de uma fonte de luz — como a lanterna do técnico — para refletir o sinal luminoso de volta ao observador. Há também uma versão complementar baseada em pigmentos que absorvem luz ao longo do dia e emitem luminosidade de forma limitada no início da noite. “Essa segunda tecnologia ainda está em evolução. Hoje, a duração é de cerca de uma hora e a intensidade é reduzida”, afirma Toldo. Segundo ele, o desenvolvimento dessa vertente envolve ajustes na composição dos pigmentos para ampliar o tempo e a intensidade da emissão luminosa.

Além da aplicação operacional, a Fibramérica posiciona a Fablight como uma forma de explorar a infraestrutura de rede como canal de comunicação. A proposta parte da premissa de que os ativos físicos das redes FTTH — normalmente discretos ou camuflados — podem ganhar visibilidade em determinados contextos. “Esses equipamentos abastecem a cidade inteira, mas passam despercebidos. Com a tecnologia, cada elemento se transforma em um ponto de contato visível da marca”, afirma Toldo.

A pintura pode incorporar elementos visuais como logotipos ou QR codes, permitindo que a identificação do provedor seja visível no ambiente urbano durante a noite, sem necessidade de mídia adicional. “É uma forma de transformar a infraestrutura, que hoje é apenas funcional, em um ativo também de marketing”, acrescenta.

A aplicação da tecnologia ocorre diretamente no processo fabril das caixas e armários, o que garante padronização e durabilidade. Segundo a empresa, o acréscimo de custo é marginal, estimado em cerca de US$ 0,40 por unidade. “Não se trata de um adesivo ou pintura convencional. É um processo industrial que precisa ser incorporado na fabricação”, afirma o executivo.

A solução já está em produção para projetos na Ásia e passou a ser disponibilizada para operadoras e integradores na América Latina a partir de março de 2026.

A proposta da Fablight reflete uma abordagem mais ampla de revisão do papel da infraestrutura passiva nas redes de telecomunicações. Tradicionalmente concebidos com foco exclusivamente funcional, elementos como caixas e armários passam a ser considerados também sob a ótica de operação, visibilidade e interação com o ambiente urbano. “Estamos tentando quebrar um paradigma. A infraestrutura não precisa ser apenas funcional; ela pode também gerar valor adicional”, conclui Toldo.



Mais Notícias RTI



Abrintel alerta para avanço do “sequestro” de torres no Rio de Janeiro

Entidade afirma que 59 sites de telefonia móvel já enfrentam restrições de acesso impostas pelo crime organizado.

12/05/2026


Velox aposta em atendimento terceirizado e humanizado para ampliar suporte a provedores

Empresa reforça atuação com operações 24 horas, suporte técnico e contact center personalizado.

12/05/2026


DPR destaca novas soluções em fibra e lança campanha para redução de preços na Abrint 2026

Empresa aposta em lançamentos para redes ópticas, campanha comercial e expansão em data centers.

11/05/2026