Pressionados por custos crescentes, entraves regulatórios e conflitos recorrentes na ocupação de postes, provedores regionais de Internet de Pernambuco decidiram se organizar para ganhar escala política e capacidade de negociação. Criada em junho de 2025, em Caruaru, a APROINTER - Associação dos Provedores de Internet de Pernambuco nasce como resposta direta às dificuldades enfrentadas pelo segmento no estado, especialmente no compartilhamento de infraestrutura elétrica e no acesso a linhas de crédito em condições competitivas.

Segundo Carlos Fernandes Silva, vice-presidente da entidade, CEO da Internet Fibra e sócio da G5 Telecom, os problemas com a Neoenergia, concessionária de energia local, são recorrentes. “Chegamos a conversar com alguns deputados sobre essa questão antes de fundar a APROINTER, mas vimos que nossa luta seria fortalecida se estivéssemos reunidos em uma associação. O diálogo com a distribuidora é difícil, tendo inclusive episódios arbitrários, como o corte de fibra de provedores com contratos vigentes. Algumas empresas chegam a comprometer 20% do orçamento apenas com o aluguel de postes, que hoje chega a custar R$ 11,52 por unidade, um valor bem distante do proposto pelas agências reguladoras”, afirma.

O apoio governamental na concessão de linhas de crédito também é um desafio recorrente. “Os microempresários não têm um suporte governamental adequado. Se um provedor regional tenta adquirir um empréstimo via BNDES, é automaticamente direcionado para um banco parceiro, cujos juros anuais chegam a 20%. Já uma operadora de grande porte consegue obter diversos benefícios, como o acesso a capital oriundo do FUST e uma taxa de juros mais baixa”, diz o vice-presidente da APROINTER.

Outra questão que aflige o segmento é a Reforma Tributária em andamento. “A Reforma Tributária traz novos desafios em seu formato de imediato recolhimento após emissão, pois não existe garantia do pagamento por parte do tomador do serviço. O fornecimento de Internet é uma necessidade básica, mas que infelizmente não tem os mesmos benefícios e a atenção de outros serviços essenciais como água e luz”, lamenta Emmanuel Alves, primeiro tesoureiro da APROINTER e diretor da CBR Fibra.

Mesmo com pouco tempo de existência, a APROINTER já obteve algumas conquistas. Uma delas é a parceria feita com o Sicoob para o barateamento na emissão de boletos. Com ela, os 120 provedores membros da associação têm um custo de R$ 0,65 por fatura, uma redução de aproximadamente 36% em relação ao teto normalmente praticado pelas operadoras no estado, que costuma variar entre R$ 1,50 e R$ 1,80.

“Só aceitamos como membros provedores que estejam devidamente licenciados pela Anatel. Para quem busca a regularização, auxiliamos em todas as etapas do processo, desde questões contábeis até orientações sobre o uso de EPIs”, afirma o primeiro tesoureiro.

Para 2026, a diretoria da APROINTER planeja participar de mais eventos do setor com o intuito de difundir a entidade e fomentar o surgimento de associações similares em outros estados brasileiros.

“Quando fundamos a APROINTER pensamos em toda a parte burocrática, desde a distribuição de cargos até a elaboração do estatuto. É um trabalho voluntário cuja única cobrança é união e responsabilidade”, finaliza Eraldo Pedro, presidente da APROINTER e diretor da Cabo X.



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