A ABNT NBR ISO 5725 é uma das normas mais importantes e, ao mesmo tempo, menos compreendidas do sistema da qualidade. Ela não descreve como realizar um ensaio, mas estabelece como avaliar estatisticamente a qualidade de um método. Em essência, é a norma que define o que significa dizer que um método é preciso e confiável.

 

O núcleo da ISO 5725 está na distinção entre repetibilidade e reprodutibilidade, termos frequentemente confundidos entre si. A repetibilidade mede a variabilidade quando o mesmo laboratório repete um ensaio sob condições controladas. A reprodutibilidade mede a variabilidade quando laboratórios diferentes realizam o mesmo ensaio. Esses dois conceitos são definidos de forma consistente com o Vocabulário Internacional de Metrologia e são calculados a partir de modelos estatísticos baseados em variância.

 

A norma utiliza modelos de análise de variância, ou ANOVA, para decompor a variabilidade total em componentes atribuíveis ao laboratório, ao operador e ao erro aleatório. Essa abordagem permite quantificar quanto da dispersão dos resultados é inerente ao método e quanto é causada por diferenças operacionais. A ISO 5725 também define procedimentos para identificação e tratamento de outliers, usando critérios estatísticos como o teste de Grubbs e o teste de Cochran. Esses métodos evitam que valores extremos distorçam a avaliação da precisão do método. Sem esse controle, um único erro grosseiro poderia comprometer toda a análise. A dica de ouro é: tenha clareza e discernimento de qual estatística utilizar.

 

Os resultados dos estudos ISO 5725 são usados diretamente na redação de normas técnicas. Quando uma norma ASTM ou ISO informa um limite de repetibilidade ou reprodutibilidade, esses valores vêm de estudos conduzidos conforme essa metodologia. Assim, a ISO 5725 é a ponte entre estatística e normalização. No contexto de acreditação (ISO/IEC 17025) e ensaios de proficiência (ISO/IEC 17043), a ISO 5725 também fornece a base para a interpretação de diferenças entre laboratórios. Se dois resultados diferem mais do que o limite de reprodutibilidade, isso indica um problema real, e não apenas flutuação aleatória.

 

Saiba mais sobre normas para o setor de plásticos acompanhando a seção Normas, no portal da Plástico Industrial.


 

(*)Alan Bonel é especialista em polímeros e atua há mais de 15 anos com foco em normas técnicas nacionais e internacionais, especialmente nas áreas de ensaios, laboratório e requisitos de montadoras. Compartilha conteúdos técnicos no LinkedIn e no canal do YouTube @bonelsimplificando.


 

 



Mais Notícias RTI



Passaporte digital e DQL: a era da transparência de dados técnicos.

As novas diretrizes de economia circular transformam a documentação lote a lote em valor de mercado, fazendo com que a qualidade da resina reciclada deixe de ser apenas um atributo físico para se tornar um ativo digital.

30/06/2026


A Lei do Bem e os incentivos à resina sustentável

Incentivo fiscal abrange desde o custeio de laboratórios de caracterização de polímeros PCR de alto desempenho até o redesenho de embalagens para reciclabilidade, permitindo deduzir até 80% dos gastos com P&D da base de cálculo do IRPJ e da CSLL.

23/06/2026


Adequação ambiental ao alcance do transformador de pequeno porte

Regras de dispensa do PGRS e o uso de formulários eletrônicos reduzem a burocracia para microempresas do setor de plásticos, mantendo o compromisso com a destinação adequada e a eficiência produtiva.

09/06/2026