Um estudo recém-divulgado pela Lenovo aponta que os data centers do futuro precisarão passar por transformações estruturais profundas para acompanhar o avanço da IA - Inteligência Artificial, as exigências de sustentabilidade e as crescentes demandas por soberania de dados. A pesquisa ouviu 250 líderes de TI de empresas com mais de 250 funcionários na Europa e no Oriente Médio e traça cenários de evolução das infraestruturas digitais até 2055.
Entre os principais achados, destaca-se a centralidade da soberania de dados. Segundo o levantamento, 88% dos tomadores de decisão já tratam o tema como prioridade estratégica, percentual que sobe para quase 99% quando considerada a relevância nos próximos cinco anos. O controle sobre onde os dados são armazenados e processados tende a influenciar diretamente a localização e o design dos data centers, especialmente em um contexto regulatório mais rigoroso. Paralelamente, 94% dos executivos apontam a baixa latência como requisito essencial, impulsionada pela expansão de aplicações em tempo real, edge computing e serviços digitais distribuídos.
O estudo também revela uma desconexão significativa entre ambições ambientais e a realidade da infraestrutura instalada. Embora 92% dos líderes de TI afirmem priorizar fornecedores capazes de reduzir o consumo energético e emissões de carbono, apenas 46% avaliam que o design atual de seus data centers está alinhado às metas de sustentabilidade. Esse descompasso se torna ainda mais evidente com a intensificação do uso de IA, automação e análise avançada de dados, que elevam a densidade computacional e a geração de calor, pressionando sistemas tradicionais de resfriamento a ar.
A inteligência artificial aparece como um dos principais motores de transformação. Para 90% dos entrevistados, a IA deverá ampliar de forma significativa o volume de dados organizacionais na próxima década, enquanto 62% acreditam que IA e automação terão o maior impacto sobre as estratégias de TI. Apesar disso, 41% reconhecem que suas organizações ainda não estão preparadas para integrar essas tecnologias de maneira eficiente, reforçando a necessidade de modernização da infraestrutura física e lógica.
Com base nesses desafios, a Lenovo desenvolveu, em parceria com a empresa de engenharia AKT II e o escritório de arquitetura Mamou-Mani, conceitos de data centers projetados para o horizonte de 2055. As propostas partem do modelo tradicional de servidores em rack, mas incorporam resfriamento líquido e soluções modulares para ampliar eficiência energética, reduzir emissões e otimizar o uso do espaço.
Entre os conceitos apresentados está a “nuvem flutuante”, que prevê data centers suspensos na atmosfera, entre 20 e 30 quilômetros de altitude, alimentados por energia solar contínua e equipados com circuitos fechados de resfriamento líquido pressurizado. Outro modelo, o “Data Village”, propõe instalações modulares próximas a corpos d’água, capazes de reutilizar o calor residual para aquecimento de edifícios ou geração de energia, além de reduzir a latência pela proximidade com centros urbanos. Já o “Data Center Bunker” explora o uso de túneis subterrâneos para ampliar capacidade computacional em áreas densamente povoadas, minimizando o uso de novas áreas superficiais.
Apesar do caráter conceitual, todos os projetos compartilham um elemento central: a adoção do resfriamento líquido como alternativa ao modelo tradicional a ar. Segundo a Lenovo, essa tecnologia consome menos energia e permite maior eficiência térmica, fator crítico para suportar cargas intensivas de IA. A empresa destaca que, em sua solução Lenovo Neptune, até 98% do calor do sistema pode ser removido diretamente na fonte, reduzindo o consumo energético e a dependência de sistemas convencionais.
O estudo conclui que, diante do crescimento acelerado da demanda computacional e do endurecimento das metas ambientais, organizações que desejam escalar aplicações de IA precisarão iniciar desde já a otimização de suas infraestruturas. Nesse contexto, eficiência energética, sustentabilidade e soberania de dados deixam de ser atributos complementares e passam a definir a viabilidade dos data centers no longo prazo.
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