A BRF, uma das maiores empresas de alimentos do mundo, investiu mais de R$ 15 milhões para modernizar o sistema de tratamento de efluentes na unidade de Francisco Beltrão, PR, responsável pelo abate de aves destinadas ao mercado interno e exportações (Oriente Médio, África, Américas do Sul e Central).

A empresa adotou o sistema de lodos ativados. Antes, a tecnologia de tratamento consistia em flotadores (físico-químico) e oito lagoas de estabilização, sendo uma de equalização, duas anaeróbias, duas facultativas, uma aerada e duas de polimento (biológico). Elas ocupavam uma grande área, que ficava afastada dos flotadores, resultando em maior número de manobras operacionais. O tempo de retenção do efluente era de aproximadamente 10 dias. “Hoje o tempo é menor e a operação ficou centralizada em uma área mais compacta e próxima da unidade, facilitando a gestão e monitoramento dos parâmetros de controles”, diz Paulo Lesskiu, gerente da unidade de Francisco Beltrão da BRF.

A capacidade do novo sistema instalado é de 700 m³/h. Atualmente, são tratados em média 350 m³/h de efluentes, que são integralmente devolvidos para o Rio Santa Rosa (no montante da captação de água). Há ainda reúso da água de retrolavagem de filtros e descarga de fundo das ETAs. Com a nova operação, a unidade deixará de emitir mais de 2200 toneladas de dióxido de carbono equivalente por ano, contribuindo para uma menor geração de gases do efeito estufa.

O sistema de lodo ativados é um processo biológico aeróbico que ocorre dentro de um tanque de aerado. Após esse tanque, o efluente é enviado a um decantador, cuja função é separar o efluente tratado dos sólidos em suspensão. Parte do lodo biológico é recirculada ao tanque de aeração a fim de aumentar a concentração de micro-organismos para maior remoção da carga orgânica. O clarificado do decantador é então destinado ao corpo receptor. O excesso de lodo, em média 1 m³/dia, decorrente do crescimento biológico, é extraído do sistema, centrifugado e destinado para empresa de compostagem licenciada, onde é transformado em fertilizante. Os lodos ativados não produzem odor e nem aerossóis que possam prejudicar o meio ambiente e interferir na comunidade vizinha.

Atualmente, o efluente é constituído pela água residual do frigorífico, fábrica de ração interna, esgotos sanitários, higienização, incubatórios, lavagem de caminhões, arco de desinfecção e lavanderia. ”Os desafios são equalizar e remover as cargas orgânicas e inorgânicas no tratamento, visto as características e diversidades de efluentes gerados na indústria”, afirma o executivo.  

O sistema de tratamento biológico foi dimensionado para atender todas as condicionantes de lançamento, com eficiência maior que o sistema utilizado anteriormente. “A DBO esperada do projeto é menor que 30 mg/L, mas com o sistema em operação, conseguimos atingir valores médios inferiores a 20 mg/L”, diz o gerente.

Segundo ele, garantir a sustentabilidade da operação e o atendimento às legislações vigentes foram os principais fatores motivadores para a modernização do sistema de tratamento. A opção pelo lodo ativado deu-se pela eficácia e segurança na operação, além da possibilidade de adoção de outras tecnologias sustentáveis. Outros projetos estão em andamento na unidade, como a modernização da central de destinação de resíduos, também alinhada com os conceitos de sustentabilidade. “A BRF entende que a gestão de efluentes gerados na atividade industrial é de extrema importância para controlar os impactos ambientais, atuando de forma alinhada aos compromissos de segurança, qualidade e integridade”, finaliza o gerente.



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