O Estado de São Paulo passou a contar com uma usina capaz de transformar resíduos orgânicos em energia elétrica, biometano e biofertilizantes. Inaugurada no IEE-USP - Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo, a unidade foi desenvolvida como projeto-piloto com apoio institucional da Semil - Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística e da ABiogás - Associação Brasileira do Biogás e do Biometano, com o objetivo de demonstrar um modelo escalável de economia circular para o aproveitamento sustentável de resíduos.

A planta opera em escala laboratorial, mas com características industriais e comerciais. Atualmente, tem capacidade para processar 25 toneladas de resíduos orgânicos por dia, com licença para expansão até 43,5 toneladas diárias. O sistema converte resíduos da cadeia alimentar em energia elétrica e térmica, biometano e biofertilizantes por meio da biodigestão anaeróbia.

Segundo a USP, cada tonelada de resíduos gera entre 120 e 180 Nm³ de biogás, com teor de metano entre 50% e 65%. Esse volume pode ser convertido em 166 a 200 kWh de eletricidade ou refinado para produzir entre 90 e 117 m³ de biometano, combustível que pode abastecer veículos movidos a GNV ou ser injetado na rede de distribuição de gás.

A energia elétrica produzida já abastece a própria universidade e também é injetada no SIN - Sistema Interligado Nacional. Com a conclusão da unidade de refino, a usina passa ainda a produzir biometano e dióxido de carbono (CO₂), ampliando as possibilidades de uso do combustível renovável em estratégias de descarbonização do transporte.

Outro resultado do processo é o digestato, que corresponde a cerca de 80% do material processado. O subproduto está sendo utilizado em pesquisas conduzidas em parceria com a Apta - Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios para aplicação em lavouras de cana-de-açúcar e em estudos envolvendo hortaliças cultivadas em solo e em sistemas hidropônicos.

A tecnologia foi concebida em módulos, permitindo sua adaptação às demandas de municípios, indústrias alimentícias, centrais de abastecimento e redes varejistas. Segundo os responsáveis pelo projeto, esse modelo reduz custos logísticos, diminui o envio de resíduos para aterros sanitários e amplia o aproveitamento energético e agrícola dos resíduos orgânicos.

A implantação da usina recebeu investimentos de aproximadamente R$ 10 milhões, provenientes principalmente do orçamento do IEE-USP e de projetos financiados pela Fapesp, CNPq e pelo Programa de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Aneel, em parceria com a Eletropaulo/Enel. A empresa TPI também forneceu cerca de R$ 3,5 milhões em equipamentos.

A inauguração reforça a posição de São Paulo na cadeia nacional do biometano. O estado concentra nove das 19 plantas em operação no país e poderá alcançar ainda em 2026 capacidade instalada de 1 milhão de metros cúbicos por dia, suficiente para suprir o consumo de gás canalizado das 2,8 milhões de residências conectadas à rede paulista. O biometano é apontado pelo governo estadual como um dos pilares do Plano Estadual de Energia 2050, com potencial para reduzir emissões de gases de efeito estufa, fortalecer a economia circular e contribuir para a descarbonização do transporte pesado e de segmentos industriais.



Mais Notícias HYDRO



Campinas entrega primeira etapa da futura EPAR Anhumas

Unidade produzirá água de reúso com 99% de pureza e será a maior da América Latina.

21/07/2026


ABPE: produção de tubos poliolefínicos cresce 16,7% e setor projeta novo salto em 2026

Produção nacional alcançou 152 mil toneladas em 2025, crescimento de 16,7% em relação ao ano anterior.

21/07/2026


ANA reabre inscrições para projetos de conservação de água e solo

Instituições têm até 21 de agosto para participar de chamamento do Programa Produtor de Água.

21/07/2026