A Asfamas - Associação Brasileira dos Fabricantes de Materiais para Saneamento lançou o Radar Asfamas da Indústria do Saneamento, publicação periódica desenvolvida em parceria com a Ex-Ante Consultoria Econômica para acompanhar indicadores econômicos, industriais e de infraestrutura ligados ao setor. A iniciativa reúne dados sobre investimentos, desempenho da indústria de materiais, construção civil e geração de empregos, com o objetivo de ampliar a disponibilidade de informações para o mercado e apoiar análises sobre a evolução do saneamento no país.

Entre os principais resultados da primeira edição está a estimativa de investimentos de R$ 33,3 bilhões em infraestrutura de saneamento em 2025. O valor representa crescimento real de 11% em relação ao ano anterior. A projeção foi elaborada a partir de dados do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e da CEF - Caixa Econômica Federal, permitindo antecipar tendências em um segmento cujos dados oficiais costumam ser divulgados com cerca de um ano de defasagem.

Segundo Edson Silveira Sobrinho, diretor de Relações Institucionais e Governamentais da Asfamas, a metodologia busca reduzir esse intervalo entre a ocorrência dos investimentos e sua mensuração. “Os dados oficiais são publicados com defasagem temporal de cerca de um ano, necessária para que o Governo Federal colete, processe e divulgue as informações enviadas por todos os prestadores de serviço do país. Com a metodologia trazida pela pesquisa, estes números passam a ser divulgados como projeções com defasagem de poucos meses”, afirma.

Apesar do avanço projetado para 2025, a associação avalia que o volume ainda é insuficiente para atender às metas de universalização dos serviços de saneamento. De acordo com a entidade, o país precisará sustentar investimentos superiores a R$ 50 bilhões por ano nos próximos anos para alcançar os objetivos estabelecidos pelo marco legal do saneamento.

O levantamento também traz indicadores sobre a indústria fornecedora de materiais para o setor. O faturamento estimado do segmento alcançou R$ 27,6 bilhões em 2025, crescimento nominal de 0,8% em relação ao ano anterior. O estudo engloba produtos como tubos e conexões, válvulas, torneiras, reservatórios, vasos sanitários e outros componentes utilizados em sistemas hidráulicos e sanitários.

Na avaliação da Asfamas, o crescimento abaixo da inflação sugere uma desaceleração da demanda em termos reais. Ainda assim, o setor manteve expansão no emprego, alcançando 59,1 mil trabalhadores em 2025, alta de 3,7% frente ao ano anterior.

Outro diferencial da publicação é a análise da construção civil sob a ótica da infraestrutura sanitária. Enquanto os indicadores tradicionais do setor costumam enfatizar lançamentos imobiliários, financiamentos e vendas, o Radar incorpora o valor das obras e dos insumos relacionados aos sistemas hidráulicos e sanitários das edificações.

De acordo com o estudo, as edificações residenciais movimentaram R$ 194,1 bilhões em 2025, enquanto as não residenciais atingiram R$ 291 bilhões, ambos os segmentos com crescimento de 2,9%. Para a entidade, esse recorte permite compreender de forma mais abrangente a evolução da demanda por soluções ligadas ao uso racional da água, eficiência construtiva e infraestrutura de saneamento.

A Asfamas pretende divulgar os resultados do Radar entre três e quatro vezes por ano. A expectativa é que a iniciativa contribua para ampliar a disponibilidade de informações econômicas sobre um setor considerado estratégico para a saúde pública, a preservação ambiental e o desenvolvimento sustentável das cidades brasileiras.



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