A Grendene, uma das maiores produtoras de calçados do mundo, vem investindo em iniciativas de sustentabilidade com foco em melhorias na linha de produção, novas tecnologias, energia renovável e desenvolvimento de produtos de menor impacto ambiental. O uso racional de recursos hídricos está entre as principais metas. Entre 2013 e 2019, o consumo de água necessária para produzir cada par de calçado foi reduzido de 2,04 para 1,41 litro, uma queda de 27%.

Com cinco unidades industriais, distribuídas pelo Ceará (Sobral, Crato e Fortaleza), Bahia (Teixeira de Freitas) e Rio Grande do Sul (Farroupilha), a Grendene tem capacidade de produzir 250 milhões de pares/ano. O consumo total de água foi de 25.948 m³ em setembro, dos quais cerca de 70% destina-se ao consumo humano e aos restaurantes internos, por onde circulam 18,3 mil funcionários. Nos processos industriais, a água é usada na refrigeração de máquinas e equipamentos (torres de refrigeração e chillers), controle ambiental, lavadores de gases e máquinas de granulação de polímeros. “A principal matéria-prima dos calçados é o PVC, com tingimento feito a seco, diferentemente dos processos de tingimento de tecidos ou do tratamento do couro, que demandam um elevado consumo de água”, diz Carlos Carvalho, gerente de Desenvolvimento Sustentável da Grendene.

Em 2019, foram reutilizados 93,2 milhões de litros de efluentes, que corresponde a 54% do volume tratado. Com meta de zerar o desperdício e a perda de qualquer litro tratado, a meta é encerrar 2020 com 100% de reutilização - em setembro o índice foi de 97,36%. A água de reúso destina-se à irrigação das áreas verdes e jardins, descargas dos sanitários e paisagismo. “Nossas operações estão concentradas no Nordeste, no clima semiárido, onde as chuvas são predominantes em quatro meses do ano. Dessa forma, fomentamos o plantio de árvores nativas nos espaços disponíveis, com objetivo de formar cinturões verdes próximos aos prédios produtivos e assim, melhorar o microclima”, diz o gerente. Na unidade de Sobral é mantida ainda uma lagoa aerada, com peixes e aves, com um volume mínimo de água nos meses de estiagem do ano.

Para chegar à meta dos 100% de reúso dos efluentes tratados, a Grendene está investindo na redução de concentração de compostos nitrogenados para utilização na refrigeração de equipamentos (tubulações de cobre), assim como em sensoriamento online de parâmetros de qualidade na saída do efluente e nos processos industriais.

Além dessas medidas, a empresa vem promovendo nos últimos anos ações para redução de desperdícios, com destaque para a implantação de equipamentos hidrossanitários mais eficientes; substituição de mais de 600 torneiras por modelos de fechamento automático (pressão); regulagem das boias das caixas de descarga para o volume de água mínimo (seis litros) de todos os banheiros; educação e conscientização dos colaboradores; e inspeção de banheiros e vestiários com objetivo de identificar e corrigir vazamentos aparentes em aparelhos sanitários, chuveiros e tubulações de distribuição enterradas.

A empresa também investiu na compra de equipamentos para identificar vazamentos de água em redes enterradas e estudos sobre o processo de refrigeração e ampliação do monitoramento online do consumo de água, com maior número de áreas monitoradas 24 horas do dia, bem como finais de semana e feriados. “Isso nos possibilita uma análise crítica direcionada em relação a possíveis vazamentos de água não aparentes e oscilações que indicam oportunidades de redução de consumo de água”, diz.

Fortalecendo a economia circular, a Grendene também vai ampliar a ação de coleta de calçados sem condições de uso, reúso (doação) ou troca. Hoje, todos os calçados já são veganos, feitos com PVC 100% reciclável e contam com até 30% de material reciclado.

O foco na redução de emissão de CO2 também é uma das principais prioridades da companhia, que está ampliando o uso de energia solar. Nas fábricas do Ceará, por exemplo, já conseguiu evitar a emissão de quase 1000 toneladas anuais de CO2 na atmosfera com o uso deste tipo de energia.



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