A destinação adequada de resíduos químicos segue como um dos principais desafios ambientais da indústria, especialmente em cadeias intensivas no uso de solventes, como a impressão flexográfica. Nesse contexto, soluções voltadas ao reaproveitamento de insumos e ao tratamento de efluentes vêm ganhando espaço como alternativa para reduzir impactos ambientais e pressionar menos os sistemas de disposição final.
A Reciclo, com sede em Morro da Fumaça, SC, tem ampliado sua atuação nesse segmento ao combinar reciclagem de resíduos químicos com tratamento de efluentes industriais. Fundada em 1990, a empresa se consolidou como uma das principais recicladoras de solventes da América Latina, atendendo mais de 80% da demanda do setor flexográfico na região.
Nos últimos 20 anos, a companhia reciclou cerca de 68 milhões de litros de solventes utilizados pela indústria, além de processar 23,4 milhões de kg de fotopolímeros, base das chapas de impressão, que foram descaracterizados e transformados em matéria-prima para outros segmentos. O processo também gerou 12,8 milhões de kg de borra, subproduto encaminhado para indústrias, como as de borracha, ampliando o ciclo de reaproveitamento.
Do ponto de vista do saneamento industrial, a empresa mantém uma estação de tratamento de efluentes dedicada a resíduos líquidos provenientes desses processos. Entre 2006 e 2026, mais de 400 mil litros de efluentes industriais foram tratados, evitando a contaminação de corpos hídricos e do solo. A iniciativa reforça o papel das soluções integradas de gestão de resíduos e efluentes como parte da estratégia ambiental das indústrias.
Segundo o CEO da companhia, Alan Fabre, a evolução tecnológica permitiu ampliar o reaproveitamento dos materiais. “Passamos a reciclar solventes por meio da destilação, separando contaminantes e devolvendo o insumo para a indústria, reduzindo a necessidade de descarte e de destinação a aterros”, afirma.
Além da recuperação de solventes, o modelo inclui a descaracterização e estabilização de resíduos que exigiriam destinação especializada, permitindo sua reinserção em cadeias produtivas. Já os subprodutos são direcionados a outros setores industriais, criando uma lógica de economia circular.
Apesar do avanço, o executivo aponta que ainda há desconhecimento no mercado sobre as possibilidades de reciclagem desses materiais. Em um país com forte base industrial, a ampliação de soluções de tratamento e reaproveitamento tende a ganhar relevância, tanto para reduzir passivos ambientais quanto para otimizar o uso de recursos.
A combinação entre reciclagem química e tratamento de efluentes indica uma tendência de integração entre gestão de resíduos e saneamento industrial, com potencial de reduzir a pressão sobre aterros e mitigar riscos de contaminação ambiental.
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