A associação Soluções Inclusivas Sustentáveis (SIS) lançou dois novos questionários voltados à avaliação de desempenho socioambiental e climático nos setores de construção civil e saneamento, com foco em abastecimento de água e esgotamento sanitário. A iniciativa busca suprir a carência de métricas específicas para análise de riscos e oportunidades, um dos principais entraves à consolidação da agenda ASG no país.
O lançamento ocorreu durante o 17º BIS – Bate-papo Inclusivo e Sustentável e reúne indicadores baseados em referências internacionais, como IFC, GRI, SASB e IFRS, além de parâmetros nacionais. A proposta é integrar esses padrões em uma ferramenta operacional capaz de orientar tanto instituições financeiras quanto empresas na gestão de desempenho socioambiental.
No caso do saneamento, os questionários destacam indicadores críticos como perdas na distribuição de água, eficiência no tratamento de esgoto e gestão da disponibilidade hídrica — pontos centrais diante da pressão por universalização dos serviços e do avanço das mudanças climáticas.
Segundo especialistas envolvidos no projeto, a ferramenta também incorpora variáveis territoriais e sociais, reconhecendo que soluções padronizadas não atendem à diversidade brasileira. Entre os desafios estão a necessidade de soluções descentralizadas, a sustentabilidade econômica dos serviços e a inclusão de populações vulneráveis.
Um dos principais usos esperados é no setor financeiro, que passa a contar com um instrumento mais robusto para análise de riscos socioambientais e climáticos. A iniciativa permite qualificar decisões de crédito e investimento, ampliando a avaliação para projetos de menor porte e incorporando fatores como exposição a eventos extremos.
Na prática, a ferramenta tende a reforçar o papel indutor do financiamento, ao vincular o acesso a recursos ao cumprimento de critérios mais estruturados de sustentabilidade.
Apesar dos avanços da agenda ASG, a falta de indicadores setoriais específicos ainda limita sua aplicação prática. A SIS aposta que a consolidação de métricas adaptadas a cada atividade econômica pode reduzir essa lacuna e tornar a sustentabilidade mais mensurável e comparável.
Com o lançamento, a entidade amplia um portfólio que já cobre setores como agricultura, mineração e indústria, e prevê novos módulos para energia, resíduos e transportes.
Foto: Tânia Rêgo - Agência Brasil
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