Um novo CCD - Centro de Ciência para o Desenvolvimento, apoiado pela Fapesp, começa a operar em São Carlos, SP, com foco no uso de IA - Inteligência Artificial para integrar dados de esgoto, saúde pública e meio ambiente. A iniciativa busca transformar o monitoramento de resíduos sanitários em uma ferramenta estratégica para prever surtos de doenças, identificar fontes de poluição e apoiar políticas públicas voltadas à qualidade de vida urbana.

O centro, voltado à Saúde Hidrossanitária e Qualidade de Vida, reúne pesquisadores da Universidade de São Paulo, da Universidade Federal de São Carlos, da Embrapa e do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de São Carlos. O projeto tem duração prevista de cinco anos e conta com investimento próximo de R$ 10 milhões. A coordenação é do professor Emanuel Carrilho, do Instituto de Química de São Carlos da USP.

A proposta parte da experiência acumulada durante a pandemia de Covid-19, quando a análise de esgoto se mostrou eficaz para acompanhar a circulação do vírus na população. A partir dessa base, o centro pretende realizar coletas regulares em diferentes pontos da rede de esgotamento, com georreferenciamento das amostras para associar os resultados a áreas específicas da cidade.

As análises vão considerar uma ampla gama de contaminantes, incluindo vírus, bactérias, parasitas, hormônios, pesticidas e resíduos farmacêuticos. Esses dados serão cruzados com indicadores socioeconômicos, como renda, educação e informações de saúde, permitindo a construção de modelos preditivos capazes de antecipar a ocorrência de doenças e mapear desigualdades sanitárias no território urbano.

Segundo os pesquisadores envolvidos, a inteligência artificial será fundamental para identificar padrões complexos a partir do grande volume de dados gerados. A expectativa é que os modelos desenvolvidos permitam respostas mais rápidas e direcionadas por parte do poder público, tanto na área de saúde quanto na gestão ambiental e do saneamento.

Além do desenvolvimento científico e tecnológico, o centro prevê a formação de recursos humanos, com a capacitação de estudantes de graduação e pós-graduação em áreas como ciência de dados, química ambiental e biologia molecular. A formação de especialistas é vista como essencial para ampliar o uso de ferramentas analíticas avançadas no setor de saneamento.

Ao final do período de funcionamento, a proposta é que o modelo desenvolvido em São Carlos possa ser replicado em outras cidades brasileiras, contribuindo para uma gestão mais integrada do esgotamento sanitário, da saúde pública e dos recursos hídricos, com base em dados e evidências científicas.



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