Em meio à crise hídrica, a Fluence Corporation, empresa especializada em soluções para tratamento de água e efluentes, com sede nos EUA e subsidiária em Jundiaí, SP, comemora a entrega das duas maiores plantas de dessalinização de água do mar no país, uma para a ArcelorMittal e outra para a Ilha de Fernando de Noronha. “2021 foi o ano da dessalinização. Esses projetos quebraram paradigmas e abrem caminho para fontes que não dependem dos mananciais de água doce”, diz José Roberto Ramos, gerente de desenvolvimento de negócios da Fluence no Brasil.

A estação da ArcelorMittal Tubarão, localizada na Grande Vitória, ES, foi inaugurada em setembro. Trata-se da maior planta de dessalinização de água do mar do Brasil. Conta com capacidade inicial de 500 m³/hora de permeado (1200 m3/h de volume bruto), o que permitirá reduzir em cerca de 30% a captação atual do Rio Santa Maria da Vitória, disponibilizando maior volume do recurso para a sociedade. A água tratada é usada para diversos fins industriais, como torres de resfriamento e caldeiras de alta pressão.

“Tivemos ajustes no cronograma de obras por conta da pandemia e das licenças ambientais. Por ser uma planta pioneira, sem valores de referência e legislação brasileira, os órgãos ambientais precisaram realizar diversas consultas no exterior para aprovação do projeto com segurança”, diz o executivo. Vencidas as etapas regulatórias e tendo a partir de agora um exemplo nacional e bem-sucedido do uso da tecnologia, os próximos projetos brasileiros tendem a ser desenvolvidos com maior celeridade. “Estamos recebendo diversas consultas de indústrias e empresas de saneamento. O Brasil quebrou uma barreira e venceu as dificuldades do primeiro caso”, diz Ramos.

Responsável pela implantação da planta na siderúrgica em regime turnkey, a Fluence teve como principal parceira a Toray Membranes, fabricante japonesa com escritório em São Paulo, que forneceu as 294 membranas de ultrafiltração para o pré-tratamento e 1085 de osmose reversa de 128 metros. As membranas são fabricadas no Japão e enviadas para os EUA, onde são produzidos os módulos de osmose reversa.

Um outro projeto de grande porte foi implantado pelas duas empresas na Ilha de Fernando de Noronha para substituição da atual estação, de 15 m³/h. Com 126 membranas de osmose reversa da Toray, a nova estação tem capacidade de 72 m³/h de permeado e já está em fase de operação assistida. A água dessalinizada corresponde a 30% do abastecimento do arquipélago, que é complementado com captação de água do Açude do Xaréu, tratada na ETA Noronha, e por poços tubulares. Os investimentos de R$ 22 milhões realizados pelo governo de Pernambuco incluem, ainda, a implantação de outros serviços e a aquisição dos equipamentos necessários ao projeto, que está sob a coordenação da concessionária Compesa. Além do aumento da produção de água por meio do dessalinizador, também será adquirido um reservatório metálico com capacidade para 1000 m3, que garantirá uma autonomia de até quatro horas de abastecimento da ilha, caso ocorra algum problema operacional.

Com a estiagem prolongada em várias regiões do país, os debates para ampliar o acesso à água de qualidade voltam com força total, a exemplo do que ocorreu na crise hídrica de 2015. Na ocasião, vários estudos e até mesmo editais para construção de estações de reúso e dessalinização chegaram a ser desenvolvidos, mas com a volta das chuvas os projetos foram engavetados. “Se na época tivessem sido executados, hoje as plantas estariam em operação e as empresas e municípios em uma situação muito mais confortável”, diz Marcelo Bueno Prado, gerente regional da Toray Membranes e também diretor da Aladyr - Associação Latino-Americana de Dessalinização e Reúso de Águas. A Arcelor-Mittal Tubarão, ao contrário das outras empresas, manteve a estratégia de seguir em frente com o projeto da dessalinização (seus estudos de água tiveram início em 2015) e agora está colhendo os resultados do pioneirismo.

Segundo Bueno, é salutar para qualquer país, em especial para o Brasil, diversificar as fontes de água através do uso das tecnologias de dessalinização e reúso, principalmente agora, com a crescente poluição das águas superficiais, que demandam tratamento avançado. “Ter alternativas para produção de água é como adotar matrizes diferentes na área energética. Uma complementa a outra. E isso se torna ainda mais necessário com a crise hídrica”, diz.

A dessalinização e o reúso são alternativas importantes que funcionam como um seguro saúde, de forma a garantir que a água esteja disponível quando necessário. “O Brasil tem a imagem de que há água doce disponível e condição hídrica privilegiada. Não temos a situação dos países típicos de deserto, que realmente não têm água, mas a concentração em locais longe dos grandes centros inviabiliza o aproveitamento dessas reservas. Por isso, é preciso quebrar o paradigma, depender menos das chuvas e ampliar a matriz hídrica”, finaliza Bueno. 

Foto: Mosaico Imagem



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