Com localização geográfica, relevo e altitude estratégicos, o Cerrado desempenha papel fundamental no abastecimento de água do país. Mais de 20 mil nascentes desse bioma são escoadas para outras regiões, alimentando oito das 12 bacias hidrográficas do país e auxiliando na distribuição dos recursos hídricos pelo território brasileiro. Nesse contexto, cuidar das águas do Cerrado é fundamental para toda a população brasileira, que depende do abastecimento hídrico para agricultura, indústria, atividades cotidianas, dentre outras. Pensando nisso, uma iniciativa pioneira coordenada pelo professor Thiago Rocha, do IPTSP - Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública da UFG - Universidade Federal de Goiás vem trazendo informações relevantes para a biodiversidade, monitoramento ambiental e o uso sustentável das águas.

Realizado no Legado Verdes do Cerrado, uma Reserva Particular de Desenvolvimento Sustentável de propriedade da CBA - Companhia Brasileira de Alumínio, o estudo científico de biomonitoramento é pioneiro no país ao utilizar um peixe, o zebrafish (Danio rerio), também conhecido como paulistinha, para avaliar a qualidade da água e sedimento dos rios. A escolha desse animal vertebrado se dá porque o DNA dos peixes é parecido com o dos seres humanos, de forma que, ao analisar o impacto da qualidade da água no organismo dos peixes, é possível associar esses efeitos ao corpo humano.

“Esses animais possuem genoma sequenciado com aproximadamente 70% de similaridade com o genoma do ser humano. Portanto, são utilizados como sistema-modelo para análise dos efeitos de poluentes das amostras ambientais em seu organismo. As respostas podem ser associadas ao homem no estudo de doenças como câncer, alterações do comportamento, disfunções endócrinas e desordens neurológicas”, explica o professor.

O projeto está sendo realizado no Rio Traíras, que é manancial de captação para abastecimento público dos 46 mil habitantes da cidade de Niquelândia, no Norte de Goiás. Está localizado no trecho superior da bacia do Rio Tocantins e é um dos afluentes pela margem direita do Rio Maranhão. Juntamente com o Rio das Almas, formam o Reservatório da Usina Hidroelétrica de Serra da Mesa, o maior do Brasil em volume de água, com 54,4 bilhões de m³.

Como destaca o coordenador do estudo, apesar de ser conduzido em uma localidade específica, o conhecimento obtido com a pesquisa extrapola o estado de Goiás. “Programas de biomonitoramento de recursos hídricos regionais contribuem para o conhecimento e a gestão da qualidade das águas de grande parte do Brasil”, explica.

Segundo ele, os resultados parciais da pesquisa indicam boa qualidade da água no Rio Traíras e baixa toxicidade para os embriões e larvas do zebrafish, destacando a importância da reserva na conservação dos recursos hídricos.



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