O Espírito Santo tem potencial teórico para produzir cerca de 317 milhões de Nm³ (metro cúbico normal, usado para indicar o volume de um gás sob condições padrão de pressão e temperatura) de biogás por ano a partir de resíduos da pecuária, agricultura e saneamento. A estimativa é de estudo desenvolvido pelo Observatório Findes – Federação das Indústrias do Espírito Santo, em parceria com o Bandes e a Open Society Foundations, que está mapeando as oportunidades para produção de biogás e biometano nos 78 municípios capixabas.

Do volume potencial identificado, 42% têm origem na pecuária, 33% na agricultura e 25% no saneamento. Os números fazem parte dos resultados preliminares do “Diagnóstico da Cadeia de Biogás e Biometano no Espírito Santo”.

O levantamento integra o projeto “Economia Verde no Espírito Santo: Impactos Socioeconômicos e Estratégias para um Ecossistema de Negócios Baseado em Biomassa”. Além de quantificar a disponibilidade de biomassa, o estudo pretende identificar sua localização, possíveis consumidores e as condições de infraestrutura, logística e regulação necessárias para viabilizar projetos de biogás e biometano.

Um dos desafios apontados é justamente a distância entre oferta e demanda. Grande parte da biomassa agropecuária está localizada no interior, enquanto parcela relevante dos potenciais consumidores de energia se concentra nos polos industriais, principalmente na Grande Vitória. Segundo o estudo, essa configuração cria desafios logísticos e de infraestrutura, mas também oportunidades para soluções que conectem produção e consumo.

Para detalhar essas possibilidades, o território capixaba foi dividido em oito Regiões Geográficas Imediatas, classificação adotada pelo IBGE. A próxima etapa prevê a caracterização dos chamados Polos Agroindustriais de Biomassa, buscando identificar as áreas com melhores condições para receber projetos de biogás e biometano.

“O objetivo do estudo não é apenas dimensionar quanto de biogás poderia ser produzido no Espírito Santo, mas entender onde esse potencial está concentrado, quais biomassas estão disponíveis e quais condições precisam ser desenvolvidas para transformá-lo em projetos e negócios”, afirma Marília Silva, economista-chefe da Findes e gerente-executiva do Observatório Findes.

O projeto também possui uma segunda frente dedicada aos impactos da descarbonização no mercado de trabalho. O estudo deverá mapear setores, ocupações e regiões associados aos chamados empregos verdes e avaliar os efeitos de investimentos em descarbonização sobre produção, emprego e renda no Espírito Santo.

Foto: Wanessa Eustachio



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