Uma tecnologia baseada no cultivo de microalgas a partir de efluentes industriais e aquícolas começa a avançar como alternativa sustentável para a agricultura e, ao mesmo tempo, como solução de valorização de resíduos e redução de impactos ambientais. Desenvolvido pela startup BiotecBlue em parceria com a Unifesp - Universidade Federal de São Paulo, o bioinsumo utiliza efluentes tratados de cervejarias e da aquicultura para produzir um bioestimulante capaz de regenerar o solo e aumentar a produtividade das culturas.
O processo consiste em utilizar resíduos ricos em nutrientes, como nitrogênio, fósforo e carboidratos, para o cultivo controlado de microalgas. Após o crescimento, a biomassa é concentrada e aplicada como insumo agrícola, oferecendo uma alternativa mais acessível e sustentável aos fertilizantes químicos convencionais. Além disso, a água residual do processo apresenta baixo teor de nutrientes, podendo ser reutilizada ou devolvida ao meio ambiente com menor risco de contaminação.
A tecnologia se insere no conceito de economia circular ao transformar efluentes potencialmente poluentes em matéria-prima de valor agregado. Resíduos de cervejarias e da aquicultura, que normalmente poderiam contribuir para a eutrofização de rios e lagos, passam a ser aproveitados no cultivo das microalgas, reduzindo o impacto ambiental e ampliando a eficiência no uso de recursos.
Além do uso como bioestimulante, as microalgas produzidas apresentam alto valor nutricional, sendo ricas em proteínas e betacaroteno, o que permite sua aplicação também como suplemento alimentar na aquicultura. Outro benefício relevante é a capacidade de fixação de carbono, uma vez que as microalgas capturam CO₂ durante a fotossíntese, o que pode contribuir para iniciativas relacionadas a créditos de carbono.
O bioinsumo já está em fase de escalonamento e vem sendo testado em lavouras de milho, banana, hortaliças e café em São Paulo e Minas Gerais, com resultados preliminares positivos, incluindo melhora no desenvolvimento das plantas e na qualidade do solo. A equipe responsável trabalha agora no dimensionamento de equipamentos para uma escala piloto, com foco na ampliação da produção e na validação comercial da tecnologia.
A iniciativa surge em um contexto de forte dependência externa do Brasil em relação a fertilizantes. O país importa mais de 85% dos insumos utilizados na agricultura, com gastos anuais da ordem de US$ 25 bilhões, enquanto fertilizantes podem representar até metade do custo de produção de culturas como milho e soja. Nesse cenário, soluções biotecnológicas baseadas em reaproveitamento de resíduos despontam como alternativa estratégica para reduzir custos, fortalecer a segurança produtiva e promover maior sustentabilidade no setor agrícola.
Para o setor de recursos hídricos e saneamento, a tecnologia representa também uma oportunidade de valorização de efluentes e redução da carga poluidora lançada em corpos d’água, reforçando o potencial de integração entre gestão de resíduos, biotecnologia e produção agrícola.
Fonte: Agência Fapesp
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