A Sabesp publicou edital de licitação para instalação de uma estação de injeção de oxigênio dissolvido supersaturado no Rio Pinheiros. O objetivo é melhorar a qualidade da água, além de eliminar o mau cheiro. A solução ficará em uma área de 200 m2 cedida pela EMAE a cerca de 700 metros a montante da Usina São Paulo (ex-Usina da Traição). O valor do contrato é de R$ 40 milhões em cinco anos e inclui a operação assistida e realização de testes envolvendo o incremento da autodepuração. A previsão é que o vencedor do processo licitatório seja divulgado em fevereiro de 2021. “É uma inovação no Brasil, mas nos EUA e Europa há vários casos de sucesso”, disse Alceu Segamarchi Junior, diretor de Tecnologia da Sabesp, durante apresentação sobre o Programa Novo Rio Pinheiros no Brazil Water Week, no dia 27 de outubro.

A introdução artificial de oxigênio no corpo hídrico vai acelerar a autodepuração, um processo complementar ao tratamento que incrementa a função natural de rios, canais e lagos, de forma mais rápida e eficiente. Segundo a Sabesp, trata-se de tecnologia inovadora com capacidade de transferência de oxigênio para a água acima de 90%. Além disso, as soluções prospectadas em geral são mais compactas e apresentam um consumo de energia mais baixo para uma transferência de oxigênio para a água bem mais alta que as tecnologias tradicionais.

A injeção de oxigênio faz parte do projeto de despoluição da bacia do Rio Pinheiros, no valor total de R$ 1,7 bilhão, que envolve uma série de obras e intervenções para levar o esgoto gerado na região até a ETE de Barueri, na Grande São Paulo. Os 16 contratos com os consórcios já estão assinados e em andamento.

Com 23 km de diâmetro e 272 km2 de área, a bacia recebe contribuições de vários afluentes. A região tem 3,3 milhões de habitantes (1,45 milhão de economias de água) em bairros da Zona Sul de São Paulo e nos municípios de Embu das Artes e Taboão da Serra, que geram 7400 L/s de esgoto. Desse total, 6700 L/s são coletados e somente 4600 L/s são tratados. “O desafio é encaminhar os 2800 L/s para tratamento”, disse o diretor. Isso representa o acréscimo de 532 mil economias ao tratamento, além da coleta adicional de 73 mil economias.

Com a construção da rede de emissários e mais as cinco 5 URQs – unidades recuperadoras de água nas áreas de urbanização irregular, onde não é tecnicamente possível instalar as redes coletoras, os índices da coleta passarão dos atuais 87% para 93% e de 44% para 93% no tratamento de esgoto até 2022.

As URQs (estações compactas) já estão contratadas e ficarão nos seguintes córregos: Jaguaré, de 300 L/s, e Antonico, de 180 L/s, ambas com o consórcio de empresas Etesco, Fast e Conasa; e Pirajussura, de 600 L/s; Cachoeira, de 300 L/s; e Águas Espraiadas, de 180 L/s, com Engeform e Allonda. Nesses locais, o curso do córrego será desviado para uma estação elevatória e depois para a URQ. A água tratada será lançada novamente no curso e com isso chegará mais limpa no Rio Pinheiros.

O objetivo final é assegurar uma DBO menor ou igual a 30 mg/L na foz de seus afluentes (hoje é mais que o dobro disso), como resultado da ampliação do sistema de coleta e tratamento + instalação de URQs.

As ações estão sendo contratadas com base em performance. Nesse modelo, a remuneração da empresa fica diretamente atrelada ao resultado: quanto melhor a qualidade da água, melhor será a compensação financeira. O total de novos imóveis conectados à rede também será fator de avaliação das metas. 

Todos os 16 contratos de obras lineares do Novo Rio Pinheiros se encontram em andamento. O sistema de interceptação Billings/Guarapiranga (mananciais) – Tietê até a ETE Barueri ao longo da Marginal Pinheiros já foi construído. Até 30 de setembro último as obras das redes coletoras recém-conectadas à ETE Barueri levaram 47 mil novas economias para tratamento.

Segundo a Sabesp, o ritmo de execução das obras está acima do previsto. O Programa Novo Rio Pinheiros foi lançado em 2019 pelo Governo do Estado de São Paulo, uma ação que conta com a participação da Sabesp e a atuação conjunta de órgãos e empresas estaduais, coordenados pela Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente. O trabalho vai gerar cerca de 4150 empregos diretos e indiretos durante todo esse período de obras até 2022.



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