Por Alan Bonel(*)

 

A questão financeira acerca das normas técnicas ainda é um entrave para a sua aplicação. Há um questionamento recorrente se é, de fato, viável comprar normas internacionais (DIN, ASTM, ISO, SAE) e, além disso, se é viável mantê-las atualizadas, visto que elas passam por atualizações ao longo do tempo. No entanto, se existem desvios e incertezas na realização dos ensaios ou aquela sensação de “cada hora encontramos um resultado”, a resposta já está clara: invista em normas.

 

Dentro do contexto da ASTM (American Society for Testing and Materials), a norma para realização do teste Vicat, que mede a resistência térmica de materiais poliméricos, conta com nova atualização desde março de 2025. E o questionamento comum em laboratórios e em empresas que utilizam essa norma é: há obrigatoriedade de comprar a nova versão ou é possível seguir com a versão mais recente disponível na empresa? A regra geral é manter a norma atualizada, sim! Mas há outros fatores que precisam ser levados em conta.

 

Imagem ilustrativa do teste Vicat

 

O Comitê D20 – comitê da ASTM responsável pelas normas de plásticos – identificou algumas alterações necessárias, conforme listadas na própria norma desde a última edição (ASTM D1525:2017). Das treze notas trazidas pela norma, três aspectos são fundamentais.

 

O primeiro deles é sobre a alteração na linguagem para declarar que a ASTM D1525 passa a ser tecnicamente similar à ISO 306, anteriormente descrita como equivalentes. Na prática, isso significa que embora muitas vezes tenhamos resultados muito semelhantes à ASTM, não é garantido, na totalidade dos ensaios realizados, que os resultados serão equivalentes. Você precisa realizar um ensaio conforme a ISO 306 e possui apenas a norma ASTM D1525 disponível? Então alinhe expressa e previamente com o seu cliente!

 

O segundo se refere à descrição mais precisa sobre recozimento (annealing) com adição da terminologia e, sobretudo, a sua realização em condições controladas e como reportar o procedimento realizado. O recozimento vai alterar, sim, o resultado dos testes. Principalmente no caso de corpos de prova injetados, são inerentes ao processo tensões residuais que influenciam o teste: a tendência é que o corpo de prova relaxe em temperaturas mais baixas por conta dessas tensões, resultando em valores mais baixos para a temperatura de amolecimento Vicat.

 

O terceiro aspecto é um ponto de extrema relevância aos laboratórios: a inclusão da norma ASTM E456 (Terminology Relating to Quality and Statistics), reiterando a importância do tratamento de dados estatísticos. Reprodutibilidade, repetibilidade, precisão e tendência já são temas abordados na ASTM D1525:2017. Contudo, a inclusão de uma referência normativa para terminologia estatística evita erros de interpretação.

 

A decisão de adquirir e atualizar normas técnicas, como a ASTM D1525, não deve se basear apenas no custo, mas principalmente na relevância das alterações para o contexto de aplicação. As mudanças introduzidas na versão ASTM D1525:2025 representam avanços significativos que impactam diretamente a confiabilidade e a rastreabilidade dos resultados. Pequenos detalhes evitam retrabalhos e rotinas excessivas de fazer o mesmo teste várias vezes até um resultado definitivo que, ainda assim, muitas vezes não é confiável.

 

Saiba mais sobretudo normas para o setor de plásticos acompanhando a seção Normas, no portal da Plástico Industrial.

 

 

(*)Alan Bonel é especialista em polímeros e atua há mais de 15 anos com foco em normas técnicas nacionais e internacionais, especialmente nas áreas de ensaios, laboratório e requisitos de montadoras. Compartilha conteúdos técnicos no LinkedIn e no canal do YouTube @bonelsimplificando.

 

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