A ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas publicou na semana assada a norma ABNT NBR 17310:2026 - Estruturas de suportes para sistemas fotovoltaicos de solo - Diretrizes e orientações. Elaborada por um dos grupos de trabalho (GT2) da ABNT CEE-253, a Comissão de Estudo Especial de Energia Solar Fotovoltaica da Associação Brasileira de Normas Técnicas, a norma estabelece as diretrizes e orientações gerais de projeto a serem consideradas em estruturas fotovoltaicas de solo em temperatura ambiente.

Trata-se da primeira norma brasileira tratando especificamente de estruturas para sistemas fotovoltaicos, o que é um avanço para se diminuir a grande quantidade de problemas verificados em sistemas solares de solo, mas também a de desabamentos de telhados sob o peso de módulos fotovoltaicos, que têm sido preocupantemente frequentes no noticiário brasileiro. “Quando falamos de ventos, peso, cargas que podem solicitar os módulos e as estruturas de solo, estes afetam igualmente as estruturas de telhado, de modo que podemos aplicar muito da nova NBR 17310 em projetos dos chamados sistemas rooftop”, diz a engenheira mecânica Ana Carolina Cunha Quélhas, membro da comissão de elaboração da norma, especialista em engenharia de estruturas pelo ITA e que atua com projetos de estruturas metálicas de painéis fotovoltaicos.

Ana Carolina, que também é diretora Executiva na Mi Omega Engenharia e no Instituto Mi Omega, fez uma palestra sobre o assunto nesta quinta-feira no congresso Intersolar South América, realizado no Expo Center Norte, em São Paulo. Segundo ela, a NBR 17310 é relativamente simples mas tem o mérito de remeter explicitamente a normas já existentes em diversos aspectos dos projetos de estruturas de sistemas FV. Por exemplo: quanto a dimensionamento e cargas mínimas, a norma diz que cada material deve seguir suas normas específicas (como NBR 8800 - Projeto de estruturas de aço e de estruturas mistas de aço e concreto de edificações, ou NBR 14762 - Dimensionamento de estruturas de aço constituídas por perfis formados a frio); quanto à segurança e cargas “especiais” (como granizo), deve ser observada a NBR 8681 - Ações e segurança nas estruturas; e para velocidade e pressão do vento, a NBR 6123 - Forças devidas ao vento em edificações. Neste quesito, um destaque na 17310, segundo Ana Carolina, é a preocupação com o fenômeno de ressonância da estrutura, que pode causar danos ― a noma prescreve verificação da frequência natural da estrutura, “para evitar os efeitos de ressonância devido às cargas (...) não somente para o vento do cálculo, mas também para as velocidade menores”. Quanto à carga permanente mínima a considerar (peso próprio da estrutura, módulo FV e instalações), o documento prescreve 0,30 kN/m2, além de 0,25 kN/m2 como carga variável mínima (manutenção e limpeza), uniformemente distribuída.

Todas as normas citadas, e ainda outras, já existiam e estão válidas, mas nem sempre ou quase nunca eram observadas nos projetos de sistema solares. “Por exemplo, não existia norma específica para vento em estruturas fotovoltaicas. Ok, mas havia a NBR 6123, que trata de ventos em edificações e traz a base para se empregar nos sistemas FV.” A partir da NBR 17310, a observância dessas outras normas torna-se obrigatória, diz a engenheira.

Contudo, a especialista diz que a elaboração de uma norma específica para estruturas fotovoltaicas de telhado ainda é necessária, pois há requisitos que fogem ao escopo da nova NBR 17310. “Eu citei na palestra a norma australiana, que considera a altura entre o módulo e o telhado, algo de grande importância porque o vento nesse espaço cria um efeito de sucção que tende a arrancar a placa solar. Este é só um exemplo mostrando que precisamos ter também uma norma para telhados.”



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